Rafael Alonso – Galeria Athena

A Galeria Athena tem o prazer de apresentar Olho Grande, a primeira mostra individual de Rafael Alonso na galeria. Ocupando toda a Sala Cubo, a exposição conta com um conjunto de pinturas, instalações, itens de trabalho e objetos pessoais de Alonso que fazem parte do seu ateliê no Rio de Janeiro e foram transportados para dentro da Galeria. Ao propor tal deslocamento, a intenção do artista foi mudar e moldar o ambiente expositivo para um lugar ativo ao longo do período da exposição. Ou seja, a cada momento a mostra se tornará outra na medida em que novos trabalhos e novas ações vão sendo desenvolvidos.

Olho Grande reflete os devaneios e os pensamentos de Alonso. Desde a fachada da galeria, ocupada por um “sol” de compensado, passando pelo mural pintado sobre o portão, como um outdoor, tudo possibilita ao espectador a sensação de se inserir no trabalho do artista.

Ao entrar no espaço expositivo, tem-se a dimensão da proposta de Rafael Alonso: paredes ocupadas pelo excesso de pinturas, em montanhas de cores. De um lado, uma pintura mural, que traz cor à parede branca do espaço, de outro, pinturas penduradas uma sobre a outra, numa escada crescente até Sudorese Excessiva, obra que se encontra no topo, a cerca de 6 metros de altura. A presença da pintura mural é incorporada por outros acontecimentos e trabalhos do artista, que provocam uma troca ou atrito cromático e formal entre as obras: “é como algo que engolisse e fosse engolido ao mesmo tempo”, diz Alonso.

Além das abstrações coloridas já conhecidas da produção de Rafael Alonso, os temas das pinturas propostos para Olho Grande são paisagens a um primeiro olhar banais, comumente associadas à representação dos trópicos. Araras, folhagens, montanha e natureza nos remetem ao olho acostumado, apaziguador mas também ilusório e idealizado. Fazendo uso desses símbolos e ícones, Alonso dialoga com a tradição da pintura de paisagem, sem perder o tom crítico de uma natureza ideal. Sua pesquisa aqui nos sugere refletir a crise de uma certa ideia de “realidade”. Nas palavras do próprio artista: “Um pintor de paisagens idílicas sozinho reproduz incansavelmente a mesma cena que outrora diziam ser corriqueira em Olho grande (…), através de um amontoado de memórias e projetos despejados por suas ruas quadriculadas.”

No decorrer da mostra, novos trabalhos serão adicionados aos demais. A sua proposta é transformar o espaço expositivo em um espaço de ateliê, ativo, produzindo obras novas, promovendo colaborações artísticas entre outras ações que possam ser registradas e acompanhadas pelo público.

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