No próximo dia 28 de maio, a Pinacoteca de Mauá inaugura a exposição “Proposições sobre o Humano: a matéria, a representação e o que nos resta”. Com curadoria de Alice Buratto, a mostra estabelece um diálogo provocativo entre as obras de André Miagui e Vii Lenard, explorando as tensões entre a saturação da imagem digital e a finitude do corpo físico.
A exposição, que ocupa o Mezanino da instituição até o dia 30 de julho, reúne um conjunto de 14 obras que funcionam como um convite à pausa e à reflexão em meio ao ritmo frenético da contemporaneidade.
O Embate entre a Tela e a Carne
O percurso curatorial propõe um paralelo entre dois universos distintos, mas complementares. De um lado, André Miagui apresenta 8 pinturas em giz pastel da série “Zeitgeist – Entre os Mundos”. Nelas, o artista utiliza releituras de mestres clássicos intervencionadas com representações de placas eletrônicas sobre os olhos das figuras. A obra de Miagui é uma crítica direta ao consumo exaustivo de informações e à mediação constante das telas, questionando o que sobra da identidade humana quando a conexão digital é interrompida.
Em contrapartida, Vii Lenard traz a visceralidade por meio de 4 gravuras e 2 desenhos. Com uma estética que remete ao período medieval, Lenard apresenta corpos esqueléticos e dilacerados, focando na “matéria bruta”. Seu trabalho é um testemunho da vulnerabilidade, da dor e da gravidade, lembrando ao espectador que, sob as camadas de filtros e identidades fluidas das redes sociais, reside um organismo que sente, envelhece e caminha para a finitude.
Uma Pausa Necessária
Segundo a curadora Alice Buratto, a mostra investiga o paradoxo do homem moderno: o desejo por corpos ficcionais projetados em telas versus a realidade de um corpo feito de carne e tempo.
“A exposição nos convoca a uma pausa. Entre a luz de uma tela que projeta desejos e a queda de um corpo que se decompõe, somos instigados a redescobrir o humano em suas múltiplas dimensões e em sua capacidade de ser afetado pelo outro”, afirma Buratto.

