Projetos para um cotidiano moderno no Brasil: 1920-1960 | MAC USP

Antônio Gomide, Arqueiro, 1930

O Museu de Arte Contemporânea da USP apresenta, a partir de 21 de agosto, a exposição Projetos para um cotidiano moderno no Brasil: 1920-1960, com um conjunto de 120 obras do acervo do MAC USP relacionado à circulação da linguagem moderna, sobretudo, no ambiente urbano paulistano da primeira metade do século 20. São projetos para ilustrações, cartazes e capas de revistas, estudos para murais decorativos e desenhos de cenários e figurinos para espetáculos, de artistas como Flávio de Carvalho, Di Cavalcanti, Antônio Gomide, Vicente do Rego Monteiro, Fúlvio Pennacchi e Mário Zanini, entre outros. “A mostra propõe diferentes ângulos de observação para obras e artistas já conhecidos e estudados pela historiografia do modernismo brasileiro. Interessa-nos compreender a importância deste conjunto para o entendimento de uma experiência ampliada de modernidade”, dizem duas das curadoras, Ana Magalhães e Patrícia Freitas.

Di Cavalcanti, Projeto do Painel do Teatro João Caetano, 1929.

A exposição de obras que não se enquadram em um registro convencional do que se entende por belas-artes, isto é, pintura e escultura, apresenta alguns desafios, a começar pela terminologia utilizada para descrevê-las, questionando sua visão como “artes menores” ou “artes aplicadas”. Para a curadoria, “a palavra projeto vem então na esteira desse exercício de ressignificação. Ela evidencia a materialidade das obras expostas, revelando aspectos processuais e colaborando para o conhecimento de técnicas, usos e funções importantes para as narrativas da arte moderna no Brasil”. A abordagem focada nos modos de produção e circulação dessas obras permite observar as reverberações, percursos, permanências e desaparecimentos a que essas obras se referem.

A incorporação de várias das obras expostas ao acervo do MAC USP aconteceu a partir de uma reavaliação da história da arte moderna no Brasil, levada a cabo por Walter Zanini, primeiro diretor do MAC USP. Artistas como Gomide e Rego Monteiro tiveram suas primeiras grandes retrospectivas no Museu, das quais resultaram as incorporações de seus projetos na chave de leitura proposta nesta mostra.

A curadoria da exposição é do Grupo de Pesquisa CNPq “Narrativas da Arte do Século 20”, sob coordenação de Ana Magalhães, com participação das pós-doutorandas Renata Rocco e Patrícia Freitas e dos pós-graduandos Breno Marques, Rachel Vallego, Gustavo Brognara, Andrea Ronqui, Mariana Leão Silva, Victor Murari e Juliana Caffé.

Flávio de Carvalho, Objeto – Cadeira, sem data.

Compartilhar: