Projeto Poesia Visual 3 – Alexandre Dacosta – Autopoese

• Artista multimídia apresentará 24 obras nos mais variados suportes e nove vídeos no centro cultural em Ipanema dentro da mostra “Autopoese”
• Ferreira Gullar definiu o trabalho do artista, recentemente, em A Folha de S. Paulo, como um “inventor de pequenos objetos” e elogiou: “trata-se de uma das manifestações mais inteligentes e criativas dentre as que vi ultimamente nesse gênero de arte”.
O Oi Futuro em Ipanema recebe a terceira exposição do ano dentro do projeto Poesia Visual a partir de 26 de julho. O artista visual, cineasta, compositor, músico, ator e poeta Alexandre Dacosta apresentará poemas-objeto e poesias gráficas inéditas – que farão parte do novo livro do artista, “Autopoese”, mesmo nome da mostra, ao lado de outras incluídas no livro de poemas-objeto e poesias gráficas [tecnopoética] – e vídeos experimentais de micrometragens do CD-livro ADJETOS com 18 canções para objetos, gravado entre 1994 e 2007 e lançado em 2011. Os trabalhos ocuparão as duas galerias do centro cultural, que ainda terá painel de 12 metros em sua entrada com uma poesia visual inédita do autor.
O projeto Poesia Visual foi concebido pelo curador de Artes Visuais do Oi Futuro, Alberto Saraiva, e recentemente ganhou livro da coleção Arte & Tecnologia, com os melhores momentos de sua trajetória de três anos. Pioneiro, o projeto é uma plataforma de apresentação da produção de poesia visual e de reflexão sobre sua interlocução com as artes visuais. Já participaram artistas como Ferreira Gullar, Tadeu Jungle, Antonio Cicero, Roberto Corrêa dos Santos, Adolfo Navas, Lenora de Barros e Wladimir Dias-Pino. “O projeto Poesia Visual é uma plataforma de reflexão sobre a poesia visual no Brasil hoje. Estamos apresentando trabalhos inéditos de vários poetas, produzidos nos últimos anos, mas também fazemos uma manutenção de idéias, ou seja, apresentamos obras históricas que não tiveram grande destaque na ocasião em que forma realizadas”, declara o curador Alberto Saraiva.
O poeta Ferreira Gullar definiu o trabalho de Alexandre Dacosta em edição do jornal A Folha de São Paulo em 6 de janeiro de 2013: “são criações de gratificante originalidade, em que o artista mescla objetos, cores, palavras e signos visuais, postos todos a serviço de um senso de humor que explora o nonsense. Ao contrário de outros artistas que tentam impor-se pelo gigantismo das obras, Alexandre inventa pequenos objetos, à vezes ‘máquinas inúteis’, à La Picabia. (…) Trata-se de uma das manifestações mais inteligentes e criativas dentre as que vi ultimamente nesse gênero de arte”.
A exposição que chega ao Oi Futuro contará com 20 obras e oito vídeos, sendo 12 delas e dois deles, inéditos. Uma das obras inéditas ocupará a vitrine do centro cultural, a poesia “Páreo”, que traz diversos gráficos eletrônicos como pano de fundo para uma colagem de versos como “é a pausa que faz o som/é o pouso que refaz o voo/é a ponte que reduz a margem/é o ponto que induz ao todo”. Os materiais usados pelo artista são os mais variados, indo de desenhos técnicos de motores antigos (em “Biela”), passando pelo raio-x de uma rã com o poema: “a rã coaxa ao rés do brejo parco/acha que chá de sumiço é mergulho no charco” – “Rãdiografia” – poema-objeto impresso numa radiografia sobre uma caixa de luz de médico – até uma janela de banheiro com o poema “Basculante” aplicado sobre os vidros do objeto, resultando no que o poeta visual chama de “poesia-paisagem”. Já “Furor” é um poema apresentado sobre um alvo de tiro ampliado em que as letras aparecem como se fossem marcas de tiro. Há ainda poemas feitos em colares como insígnia: “a ideia fixa, asfixia”, em placas de preços de bares e padarias, além de um porta-retrato digital com 16 fotos do artista – a obra chama-se “Atrorretrato” – trazendo um verso em cada uma, com duração de cinco segundos na tela.
“Meu primeiro contato com o fazer arte foi com a música e o cinema. A música sempre permeou tudo que fiz, desde que comecei a compor nos anos 1970”, conta o artista. “Mereço a alcunha de multimídia muito antes do termo ser badalado. Fiz o curso de Filosofia na PUC, teatro, novela, dirigi curta-metragens e tive dois grupos de artes plásticas nos anos 1980, radicalmente experimentais. Formei com Ricardo Basbaum a “Dupla Especializada” e com o Barrão o upo “6 Mãos”. Misturava tudo, música, pintura, performance, cartaz. Minha poesia visual nasceu da pintura”, conclui.
Biografia do artista
Artista visual, músico, compositor, cineasta, ator e poeta. É professor do Curso Fundamentação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage / RJ. Realizou 12 exposições individuais, RJ / SP – e mais de 70 coletivas no Brasil e no exterior, apresentando pinturas, esculturas, objetos ou instalações. Recebeu 2 prêmios de pintura: IBEU (1985) e Secretária de Cultura no XVIII Salão de Belo Horizonte MG (1986). Filho dos artistas plásticos Milton Dacosta e MariaLeontina. Inicia-se no desenho e na pintura em 1975. Em 1981, estuda pintura com Cláudio Kuperman (1943) na Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV/Parque Lage, cria com Ricardo Basbaum a “Dupla Especializada” e dois anos depois o Grupo 6 Mãos, com Basbaum (1961) e Barrão (1959). Integra o Grupo 8 Pés, que vestidos de garçons, fazem intervenções em vernissages. Como cantor, músico e compositor além de fazer trilhas sonoras para filmes e peças de teatro, está lançando o CD Livro ADJETOS (canções para esculturas / objetos. Criou com sua mulher Lucília de Assis a dupla “Claymara Borges e Heurico Fidélis” e gravou os CDs “Cascata de Sucessos/1992 Leblon Records e “Pirata Ao Vivo”/2003, e como cantor “Todos Por Um – Corator Canta Ubirajara Cabral”/coral de atores/2004. Como diretor e roteirista produziu 14 filmes de curta-metragem – 6 ficções, 3 documentários, 5 experimentais – tendo ganho 11 prêmios em festivais. Como ator, participou de mais de 40 filmes, 17 peças de teatro e musicais, diversos seriados, minisséries e novelas. Como poeta lançou em 2011 o livro [tecnopoética] Editora 7 Letras e criou com Alexandre Guarnieri o espetáculo vídeo-poético-musical [versos alexandrinos]. Participou do número 1 da revista Lado 7, da antologia poética “República dos Poetas”/Ed. Museu da República/2005, do libreto “Vínculos de Equilíbrio”/CEP 20.000/2004 e dos livros de artistas plásticos, Dialeto 1/1997 e Dialeto 2/2001, além de colaborar com áudios de poesias no programa semanal radiocaos.

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