Primavera nos Dentes | Galeria Lume

A Bienal de São Paulo abre no início de setembro e com ela inicia-se um período de contestações no campo das artes em busca de novas ideias, linguagens, experimentações e questionamentos. Neste cenário, a Galeria Lume a exposição Primavera nos Dentes, coletiva que promete dissolver as certezas de seus visitantes. Com curadoria de Bernardo Mosqueira e Ulisses Carrilho, a mostra coletiva reúne obras de 16 artistas contemporâneos nacionais e internacionais, entre os quais Anton Steenbock, Elza Lima, Raphael Escobar e Janaína Miranda, e do coletivo baiano GIA (Grupo de Interferência Ambiental). São fotografias, vídeos e instalações que, de alguma forma, trabalham com a questão do engano, seja pela ilusão ou mesmo por ludibriar o seu interlocutor.
A fotografia de beleza estonteante que revela o gravíssimo problema de queimada das florestas brasileiras, a imagem que expõe a gentrificação de bairros paulistanos e o estreitamento da relação entre pornografia e política são algumas das questões com as quais os visitantes terão de lidar na visita à mostra.
“Quando concebemos esta exposição, queríamos investigar o engano. Não nos interessa tanto a ilusão em si, mas sim, o momento em que o sujeito se descobre enganado, o instante em que a ilusão é revelada”, afirma Mosqueira. “Reunimos trabalhos que se realizam com o ato de enganar e que deverão suscitar uma série de questionamentos e fazer emergir dúvidas diante das várias certezas que temos. A ideia é justamente estimular estes estados de suspeita para a dissolução de enganos”, destaca.
Para o curador, a exposição é reflexo de nosso tempo. “Estamos vivendo um período de muitos questionamentos. A cultura é cenário de um mundo construído pela política e elas não podem ser desassociadas. Neste contexto, seria muito difícil construir uma exposição que não tratasse, de alguma forma, dessas emergências”, diz Mosqueira.
Dos 16 artistas individuais expositores, 8 são mulheres. A proporção não veio pelo acaso. Os curadores escolheram ter uma forte presença feminina na exposição coletiva. “Foi, sim, uma escolha política. Normalmente essa questão é deixada de lado, mas se repararmos, as mostras coletivas, em geral, têm entre 70% e 100% de homens entre os artistas escolhidos. O discurso padrão diz que a falta de representatividade feminina se dá pelo acaso ou pela falta de mulheres com trabalhos de relevância. Não é verdade. Temos inúmeras artistas com trabalhos revolucionários que são tratadas como invisíveis não só pela sociedade, mas também pelo mercado de arte”, destaca Mosqueira.
As informações contidas na agenda são de responsabilidade dos museus e galerias e não representam a opinião da Dasartes.

Compartilhar: