Pedro Varela | Zipper Galeria

A representação do imaginário tropical – ou daquilo que se constituiu como discurso dominante em relação aos trópicos – tem sido o principal objeto de investigação de Pedro Varela. Se, em séries anteriores, o artista tratou do tema a partir da monocromia e de uma certa frieza, nas pinturas reunidas em sua nova individual na Zipper, aberta no dia 15 de junho, predomina uma exuberante paleta de cores, muitas vezes dissonante e contrastante. “Autofágico”, com curadoria de Marcelo Campos, é a quarta individual dele na galeria.
A diversidade cromática reforça a relação de diálogo entre figuração e abstração presente na obra de Pedro Varela. “Os trópicos ganham estranheza através destas cores. Em alguns momentos, chegam a ser psicodélicos, com rosas e verdes fluorescentes. Em outros apresenta tons que poderiam estar em pinturas de Guignard, Tarsila do Amaral, Glauco Rodrigues, Segal ou gravuras de Goeldi”, comenta o artista.

Mas não só as cores marcam a diferença em relação às séries anteriores. Em “Autofágico”, o artista faz releituras de gêneros clássicos da pintura – como natureza morta e paisagem – em trabalhos nos quais se imbricam uma infinidade de personagens, paisagens inventadas, uma “botânica alienígena”, textos, formas abstratas, misturadas às referências europeias de representação dos trópicos e os elementos da história da arte.

Outra característica que sobressai dos trabalhos é a busca do artista por um universo híbrido, de narrativa não linear, com alusões do carnaval aos artistas viajantes, do barroco mineiro ao modernismo antropofágico. “Abri espaço para uma discussão sobre a vida contemporânea. São pinturas que de alguma maneira tentam ser autofágicas em relação a nossa cultura, digerindo e regurgitando o que foi absorvido durante nossa modernidade”, ele afirma.

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