Pedro Varela e Bruno Weilemann | Casa de Petrópolis

Radicados em Petrópolis, Pedro Varela e Bruno Weilemann, a convite de Luiz Aquila, dividiram o processo de criação de suas obras, num diálogo com elementos da Casa e do Jardim. “Eu tenho interesse nas obras que irão mostrar pelo talento próprio de cada um deles e também por se voltarem para o século XIX brasileiro, que foi tão desprezado pelos modernos”, conta Luiz Aquila.

“É preciso manter o passado vivo, mas toda História é plástica”, diz Bruno Weilemann. Em seu trabalho recente, Weilemann tem utilizado muito de imagens da Missão Francesa de 1816.
Fragmentos dessas obras serão reutilizados nas obras da exposição.

“Pretérito Imperfeito’ é uma exposição que trata o passado como farol que ilumina as sombras na noite do presente, e nos ajuda a navegar em tempos que parecem sem contornos. Tenho interesse neste passado que não passa, mas que transparece em nosso cotidiano, nas nossas pequenas ações, na nossa identidade; diz Pedro Varela.
Pedro Varela, artista de reconhecimento internacional, recria a paisagem tropical através do seu realismo fantástico, que mistura referências da história e da história da arte com devaneios e formas inventadas. Personagens anônimos surgem ao lado de florestas exageradas, que formam um emaranhado de flores, caules, fungos e formas quase abstratas.
Suas referências passam pelas representações feitas por artistas das missões científicas durante o período colonial, cartas náuticas do renascimento, ilustrações do botânico e naturalista Ernst Haeckel, e até a série Droguinhas da Mira Schendel. O artista apresentará alguns de seus trabalhos mesclados a peças de macramês produzidas pela Andreza Dalcamim (@artedaspretas). O macramê entra como uma imagem poética dessa trama de narrativas históricas, que se entrelaçam e criam padrões.
Tendo a casa como tema, algumas obras ora harmonizam ou contrastam com seu interior, utilizando a luz e as cores dos seus espaços, bem como os elementos do papel de parede e das cortinas, muito bem preservados. “Eu nunca havia exposto num lugar como esse, diferente ao das galerias, com espaços neutros”, fala Bruno Weilemann.

A utilização de fragmentos, a colagem, as apropriações, a recombinação de memórias, a polifonia e o simbolismo iconográfico do ‘imaginário brasileiro’ e referências à cultura pop fazem parte da poética dos dois artistas. “A casa e seus segredos, os artistas e suas memórias, um novo vínculo atávico da origem — tudo repleto de falsidade e verdade”, complementa Bruno.

Bruno Weilemann, artista carioca radicado em Petrópolis, região serrana do estado do Rio de Janeiro, parte da pintura para investigar modos de sedimentação das imagens, das memórias e de todo um universo de fatos e ficções que surgem quando ativamos as lembranças e recordações. Assim, sua pintura se aproxima da ideia de projeção, própria ao cinema e à fotografia, e passa a testar ela mesma processos de revelações que jogam com luzes, frames e sequências de imagens. Ao somar fragmentos de episódios corriqueiros com citações de outras autorias, conversando com o cinema e com a literatura, Bruno Weilemann permite a coexistência de narrativas, tempos e espacialidades que se atravessam sutilmente, desvelando-se aos poucos para cada um de nós.
Seus trabalhos em tela e papel, que misturam aquarela, grafite, tinta a óleo e acrílica, aproximam os raciocínios de esboço e rascunho próprios do desenho com a mancha da pintura. Desse modo, as produções do artista surgem desse entrecruzamento entre imagem e esquema, deixando sempre em dúvida o grau de realismo que participa dessas cenas. Ainda, suas pinturas e desenhos escorrem sobre a superfície, denotando uma submersão em efeitos de aguados. Essa liquidez da imagem de Bruno Weilemann aporta um certo teor de transitoriedade em suas narrativas, o que se contrapõe à perenidade da matéria que as constroem. (Paola Fabres)

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