Paulo Whitaker | Galeria Millan

Paulo Whitaker, Sem título, 2021

A Galeria Millan tem o prazer de apresentar, de 31 de maio a 26 de junho de 2021, a exposição A ressignificação da forma dessignificada, primeira individual do artista Paulo Whitaker na galeria. Com organização de Ricardo Kugelmas, a mostra reúne um conjunto de 8 pinturas em óleo em grande formato acompanhadas de um grupo de menor tamanho, elaborados durante uma residência artística na Art Farm Project, em São Paulo, em outubro de 2019, que revisitam pesquisas realizadas pelo artista em torno da relação entre a pintura e o desenho.

Os trabalhos de Whitaker trazem uma contribuição singular para o cenário da arte brasileira, por meio de um processo de experimentação marcadamente dinâmico, desde os anos 1980. Na década seguinte, sua prática apresenta uma importante inflexão a partir de seu contato com a obra de Terry Winters (1949, Nova York, EUA), passando a incorporar, ao desenvolvimento pictórico, elementos presentes no pintor e gravador norte-americano como o acúmulo de decisões tomadas, mudanças de percurso e tentativas demarcadas na superfície da pintura.

Nos anos que se seguem, Whitaker passa a trabalhar um “povoamento da tela”, em sua própria definição, agregando mais elementos e novos repertórios e experimentando variações com a técnica do estêncil ao fundir procedimentos de uso da tinta spray com a tinta óleo, alternando entre as pinceladas contidas pela máscara e a liberdade de borrar seus contornos. Neste processo, ampliou também as possibilidades das formas pintadas, num movimento rítmico em que ora estas aproximam-se, ora sobrepõem-se em uma configuração escultórica ou distanciam-se para voltar ao caráter plano.

Nesse sentido, a relação entre a pintura e o espaço é crucial para demarcar cada passo dado e cada nova direção. Para o crítico Tadeu Chiarelli, a produção de Whitaker mostra-se “como uma espiral que vai e volta sobre si mesma – que segue para depois retornar –, (…) se constituindo entre e a partir de convulsões cíclicas que de repente fazem retornar crostas antes submersas, novas formações, configurando assim um dos territórios mais movediços e intrigantes por onde a arte brasileira atual se afirma.”

O artista menciona que, à maneira da música instrumental, que se constrói a partir de seus elementos básicos (melodia, harmonia e ritmo), Whitaker deixa de fora a narração e a literatura. Assim ele age “dessignificando” as formas que cria, para ressignificá-las mais adiante, através da pintura. Da unicidade da linguagem pictórica é que muitos caminhos de significados possíveis são explorados, sem lançar mão de narrativas pré-estabelecidas, senão daquilo que é mais fundamental em seu ofício: forma e cor, figura e fundo.

Neste último corpo de trabalhos, a espiral retorna para o ponto de esvaziamento do real, em que a superfície, enquanto devir, é ela própria o palco para o acontecimento. “Sigo buscando imagens que me deixem em estado de suspensão, uma situação estável / instável, que me criem um certo desconforto e alguma plenitude (se temporária ou permanente, o tempo me vai dizer)”, conclui o artista.

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