Paulo Vivacqua | Anita Schwartz Galeria de Arte

Nascido em 1971, em Vitória, e radicado no Rio de Janeiro, Paulo Vivacqua usa como materiais constantes em seu trabalho alto-falantes e fios. Nos trabalhos que serão exibidos, ele acrescentou novos materiais, como granito, vidro, metais, espelhos, luz negra e cores. “Esta exposição apresenta novas direções do trabalho, a partir de meu interesse maior na formação da linguagem, das palavras, dos estados pré-verbais, os balbucios”, conta. A obra que dá nome à exposição, que ocupa todo o segundo andar expositivo da galeria, é uma instalação em que o artista usa o som como “expressão visual, gesto sonoro, vocal”.

Criados pela arquiteta francesa Annete Tison e pelo professor americano Talus Taylor nos anos 1970, os personagens da família Barbapapa ganharam o mundo a partir da série de desenhos animados transmitida pela televisão, de grande sucesso. Os Barbapapas são simpáticos seres coloridos, “cada um com uma habilidade diferente, que vão mudando de forma, o que tem a ver com meu trabalho”. Na obra sonora “Barbapapa”, Paulo Vivacqua cria desenhos com alto-falantes e fios vermelhos sobre chapas de aço pintadas com tinta automotiva – elementos inéditos –, em que as formas “são mais ovais, como seres imaginários, ou como se uma figura de linguagem se tornasse um ser visual”, e os sons emitidos pelos Barbapapas são derivados da pesquisa recente do artista sobre os sons pré-verbais.

“As vozes, sons, sílabas, expressões vocais, o balbuciar de uma criança, em um ambiente lúdico, evocando um mundo antes da fala, campo mais vasto de sentidos e sensibilidades, que existe, mas está adormecido”, explica. Nas obras, o artista pretende “acordar este mundo de seres imaginários”.
Paulo Vivacqua busca o universo imaterial, em que foge do mundo muito narrativo, muito endereçado, dimensionado. Ele pretende um espaço mais aberto, com um número maior de leituras sobre aquele objeto em um nível mais abstrato. O artista vem aprofundando desde o ano passado sua pesquisa sobre sons vocálicos, iniciada com a fragmentação do som do alfabeto, como “um alfabeto despedaçado, em sons e formas”.
O trabalho é um desdobramento desta pesquisa, em que a linguagem seja geradora de imagens, lúdicas, borrando e diluindo a fronteira entre som e forma.

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