Paulo Monteiro e Gokula Stoffel | Pivô

No ano em que completa 15 anos, o Pivô inaugura, no dia 1º de abril, a primeira exposição de 2026 no Copan, o Projeto Vitrine. Em sua terceira edição, o programa toma como ponto de partida o encontro entre artistas que compartilham uma história comum, seja de amizade, afeto ou colaboração prévia, propondo que essa proximidade se torne o próprio motor da criação, um espaço onde a cumplicidade pré-existente entre os participantes se desdobra em obras que só poderiam existir a partir dessa relação. A exposição apresenta uma série de trabalhos inéditos de Paulo Monteiro e Gokula Stoffel e segue até 21 de abril, também integrando a SP-Arte 2026 entre os dias 8 e 12 do mesmo mês.

“Nesta edição do Projeto Vitrine, que já recebeu as duplas Sônia Gomes e Juliana Santos (2021) e Erika Verzutti e Anderson Borba (2023), propusemos a colaboração entre dois artistas que compartilham uma vida, lançando o desafio de um encontro entre práticas distintas, em que a intimidade se torna matéria. Que ambos tenham passado pelo Pivô em outros momentos, torna essa edição também uma celebração dos quinze anos da instituição. Monteiro, figura central da geração que emergiu nos anos 1980 com o grupo Casa 7, opera numa tensão contínua entre pintura e escultura, usando o espaço negativo como medium para fazer com que suas pinturas se comportem como objetos e seus objetos como campos pictóricos. Stoffel parte de uma atenção porosa ao entorno, numa prática atravessada pelo acaso e pelas propriedades intrínsecas da matéria, que transita livremente entre pintura, escultura e tecelagem”, diz Fernanda Brenner, diretora artística do Pivô.

As cerca de trinta obras inéditas, a maior parte delas pinturas, refletem a singularidade do encontro entre Monteiro e Stoffel: a dupla se propôs a experimentar elementos de suas linguagens, métodos e repertórios visuais. O processo prazeroso, nas palavras de Monteiro, carrega a sensação de se sentirem mais livres. “Tem o desejo de perder um pouco da identidade. É claro que nunca conseguimos totalmente porque, tudo que você faz tem um pouco a sua marca, o seu jeito, mas é um pouco libertador trabalhar assim”, diz Paulo. “É muito fácil reconhecer o que falta, o que dá para adicionar. Claro que nem tudo vem instantâneo, de uma vez, mas tem uma facilidade muito maior do que no nosso próprio trabalho, em que a gente fica elaborando e toda decisão tem um peso maior”, completa Gokula.

Ao olharem para esse percurso livre, a dupla identifica um “inconsciente compartilhado”, cujo resultado é um conjunto de trabalhos que emerge desse campo de troca e de contaminação mútua: um mergulho na feitura que tensiona e borra as fronteiras das identidades, criando zonas de intersecção em que gestos, materiais e decisões compositivas passam a operar de forma compartilhada.

O processo de criação da dupla também dá origem a um vídeo registro exibido junto às obras, no qual os dois artistas compartilham reflexões, técnicas e processos criativos.

Compartilhar: