PAULO DU’SANCTUS | OMA GALERIA

A OMA Galeria inaugura Ä tua nobre alma”, exposição individual do artista Paulo du’Sanctus. A mostra apresenta cerca de 15 pinturas em óleo e acrílica sobre tela, além de suportes incomuns como papel moeda e páginas de enciclopédias. As obras em exibição propõem uma reconstrução crítica da história brasileira a partir de uma perspectiva decolonial.

O escritor George Orwell declarou em 1944 que a história é contada pelos vencedores. Sendo a história uma narrativa moldada por aqueles que detêm o poder, as populações indígenas e negras tiveram suas contribuições sistematicamente apagadas das páginas dos livros e da memória oficial brasileira.

A obra de du’Sanctus se opõe a essa lógica: ao pintar diretamente sobre capas e páginas de enciclopédias, símbolos tradicionais do poder, o artista reinsere os “perdedores” no centro da narrativa. Partindo de sua ancestralidade africana, ele evidencia os silenciamentos impostos aos povos afetados pelo colonialismo no Brasil.

Em suas pinturas, figuras negras e indígenas rompem padrões de azulejos portugueses tradicionais, metáforas para o domínio europeu, aludindo à libertação de corpos e histórias aprisionados. Já em outras obras, o artista retrata plantas de origem africana, como a espada de São Jorge e a espada de Santa Bárbara, conhecidas como espada de Ogum e de Iansã nas culturas africanas. Presentes em muitos lares brasileiros, essas plantas simbolizam proteção e cura, e aludem ao entrelaçamento entre as culturas africana e brasileira.

Nascido em 1982, Paulo du’Sanctus tem obras no acervo de instituições como o Museu do Ipiranga, desenvolvendo uma linguagem visual que transita entre a denúncia dos apagamentos históricos e a valorização das heranças culturais afro-brasileiras. Em sua prática, reescreve a história sem negar os caminhos já abertos por aqueles que vieram antes dele. Segundo o curador Saulo di Tarso, “Paulo enxerga e reinsere no contemporâneo a contribuição decolonial construída por gerações anteriores quando este movimento pela liberdade ainda não tinha essa denominação, que ressurgiu recentemente na cena brasileira.”

Compartilhar: