Paul Setúbal | Casa Triângulo

A grande peleja, 2019

Casa Triângulo tem o prazer de apresentar Bronze, Couro, Ouro, sangue, primeira individual do artista Paul Setúbal na galeria.

       O corpo é uma dimensão constantemente explorada na produção de Paul Setúbal. Além de um importante suporte material, social e geográfico de discussões que permeiam momentos de conflito, o artista também o explora como modo de vivenciar e testar seus limites físicos, ou como forma de transmutar relações de poder. Com texto de Priscyla Gomes, curadora associada do Instituto Tomie Ohtake, a mostra reúne um conjunto de obras, entre vídeo, instalações e esculturas, que destacam a pluralidade do artista.

        Nascido em Goiás, um dos Estados mais violentos do Brasil, Paul viu desde cedo relações que transpõem a força e o autoritarismo. Logo, sua moradia passou a transitar entre São Paulo, Brasília e Goiânia – regiões fronteiriças onde conflitos territoriais se mostram presentes, seja na capital, interior ou metrópole. “Minha pesquisa é dedicada às experiências que o corpo tenta ressignificar. Muitas vezes começa a partir de um acontecimento pelo qual fui impactado ou que não pude compreender em um primeiro momento. Então essas situações passam a se tornar assuntos na minha produção”, comenta o artista.

        Em cartaz na Casa Triângulo a partir de 27 de fevereiro, a mostra originalmente concebida para setembro de 2020, foi adiada em virtude da pandemia e abre agora o ciclo de exposições de 2021.  Bronze, Couro, Ouro, sangue faz alusão aos elementos que compõem as principais obras realizadas para a mostra, atribuindo significados a componentes cruciais à formação da história de um país marcado pela promessa de um progresso e, principalmente, pela violência. Em Sinapses [2015-2020], conjunto de telas feitas com o sangue próprio do artista, folha de ouro e terra vermelha, fala-se de uma camada visceral da vida, da morte e da dor.

        No conjunto de trabalhos expostos, há uma constante referência a circunstâncias decorrentes de traumas e choques, universo corriqueiro em contextos sociais dominados pelo abuso de poder e violência. Em seus trabalhos, o artista se apropria e manipula símbolos de poder, como se fosse possível transformar tal energia. “Meu interesse é apresentar um conjunto de obras que dialoguem com a contemporaneidade, onde o corpo é uma estrutura frágil, mas que possui a capacidade de suportar a todo tipo de pressão”, explica o artista. A radicalidade da obra de Paul Setúbal também pode ser vista em Duplo [2020], esculturas em bronze que não só evidenciam objetos e ações de coerção, como sugerem ainda terem sido construídas a partir de um imaginário da dominação.

  Com uma pesquisa que se desenvolve em diversas plataformas, ao longo da exposição ele aborda as problemáticas e simbologias do corpo na sociedade contemporânea, seu uso, controle, relações de resistência, abuso e poder.

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