Patricia Rebello | Parque Aramat

obra: Plastigomerado

Desinventar coisas, inventar natureza é a exposição individual de Patricia Rebello, artista contemplada com o Prêmio Garimpo DasArtes (edição 67), que inaugura uma das salas expositivas do Parque Aramat. A mostra reúne pinturas, instalações, assemblages e esculturas que investigam as transformações da natureza em um planeta cada vez mais atravessado pela ação humana.

Inspirado na poesia de Manoel de Barros, o título da exposição evoca a capacidade de reinventar o mundo por meio da imaginação, aproximando palavra, natureza e experiência poética. Em sua produção, Rebello cria paisagens híbridas e organismos imaginários que habitam um território entre o natural e o artificial, convidando o público a refletir sobre futuros possíveis e novas formas de coexistência.

A montagem utiliza pranchas de madeira reutilizadas, revestidas por tecidos estampados a partir da técnica de monotipia por marmorização. As obras são apresentadas sobre essas estruturas, reforçando a ideia de camadas e sobreposições, elemento recorrente em sua pesquisa visual. Utilizando resíduos plásticos recolhidos em praias, redes de pesca descartadas, imagens fotográficas, pintura e colagem, a artista cria obras que transitam entre o natural e o artificial, sugerindo organismos e paisagens em constante transformação.

Entre os destaques está Plastigomerado, escultura realizada com cordas e redes de pesca resgatadas do mar e destinadas ao descarte. A obra faz referência aos plastiglomerados, formações resultantes da fusão de resíduos plásticos com elementos naturais, consideradas símbolos materiais do Antropoceno. A exposição inclui ainda as instalações Essa sede pode me matar, sobre a contaminação da água por agrotóxicos; Cultura Salina, composta por placas Petri; e Herbário do Amanhã, que apresenta registros de espécies imaginárias de um futuro possível.

Com texto de apresentação de Hugo Fortes, artista, curador e professor da ECA-USP, a mostra – que está em cartaz no pavilhão 2 – propõe uma reflexão poética sobre as relações entre cultura e natureza em um mundo em constante transformação.

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