Patricia Carparelli e Conrado Zanotto | Galeria Kogan Amaro

Em maio, o mezanino da Galeria Kogan Amaro recebe a mostra Formas, fluídos e fragmentos, um diálogo entre obras dos artistas Patricia Carparelli e Conrado Zanotto. Com curadoria de Ana Carolina Ralston, a exposição acontece entre os dias 18 de maio e 08 de junho, reunindo cerca de 10 trabalhos dos artistas.

Nas telas de Patricia Carparelli, as cores ganham formas como fluxos do inconsciente. O espectador pode enxergar figuras isoladas que, ao serem vistas no todo, revelam-se memórias e cores diversas que se entrelaçam, fazendo conexões entre o universo onírico e a realidade. A água e o tempo, dois de seus importantes pontos de partida, tomam formas por meio das tonalidades fluídas e aquareladas que pinta diretamente na tela, sem precisar de rascunhos. Se tivessem som, as pinturas a óleo da paulistana emitiriam o barulho do mar, que pode remeter ao útero materno – espaço de aconchego das dores humanas e onde a luz transpassa de forma delicada e solar.

“A união entre o universo aquático e o terreno – se deixarmos o corpo flutuar nas águas, ora emerso, ora submerso – é uma das sensações que surgiram como ponto inicial de Carparelli para desenvolver seu fluxo artístico ainda pequena”, pontua a curadora.  “Suas pesquisas estão focadas nas relações entre experimentações clínicas e terapias diversas – tais como arte terapia ou pensamentos de Carl Jung”, complementa Ralston.

A fluidez de Patricia Carparelli envolve uma das impactantes esculturas de Conrado Zanotto, erguida no meio do espaço expositivo. Chifres, Ossos, Falos, Orifícios, Entranhas…, parte da série desenvolvida pelo artista intitulada Empíricos e reúne um conjunto de cerca de 150 peças feitas em argila e porcelana. O projeto tomou corpo a partir de formas orgânicas, que passaram a conversar entre si, e se revelaram em encaixes imperfeitos. A partir do princípio da coexistência, Zanotto decidiu juntar cada fragmento em uma experiência de montagem – nenhum deles alcançará o formato e os encaixes de outro, transformando-se em experimentações únicas.

Para compor a peça principal, foram usados cerca de 50 quilos de barro de argila bruta provenientes de diferentes lugares, desde os mais rústicos – como o da Chapada dos Veadeiros (GO), de coloração rosada –, até a porcelana. A busca por essa variação de materiais, a preparação, a modelagem manual peça a peça, com tratamento e acabamento individual, são exercícios feitos pelo artista ao longo de 20 meses. “A instalação é marcada por uma fuga ao peso, como se sua inserção problemática no mundo devesse começar por excluir a lei da gravidade universal. Fuga que a água também nos permite”, finaliza a curadora.

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