Parquinho Lage | EAV Parque Lage

Desde sua criação, há mais de 40 anos, a Escola de Artes Visuais do Parque Lage tornou-se um dos principais centros de formação, reflexão e debates sobre arte contemporânea, abrigando exposições, espetáculos teatrais, ciclos de cinema e shows de música. A instituição por tradição oferece um programa plural, inovador e ousado, envolvendo a articulação e a composição de campos diversos da cultura e do pensamento.
Exaltando o poder transformador da arte e reafirmando sua vocação como posto avançado de experimentalidade criativa, a EAV lança dia 3 de  julho o Parquinho Lage, uma escola destinada a crianças de 6 a 12 anos, sob supervisão da crítica e curadora Lisette Lagnado. “Este projeto surge da experiência acumulada em oficinas de caráter transversal, sem pedagogia segmentada em técnicas. A proposta educacional investe na ideia de horizontalidade entre professor e aluno, entendendo que os ensinamentos acontecem de forma mútua”, comenta Lagnado, doutora em Filosofia pela USP e curadora de programas públicos da EAV. “Como nas máquinas cinéticas do grande artista brasileiro Abraham Palatnik, aqui a criança é o motor e a aula o movimento. O resultado desse sistema é uma escola criativa e alegre, dedicada a dotar cada ser de autonomia e segurança para assumir as responsabilidades da vida”, conclui.
As manifestações artísticas, sobretudo brasileiras, são o fio condutor do projeto pedagógico do Parquinho, que tem início no dia 3 de julho, em turnos na parte da manhã e da tarde. Com cursos contínuos (a partir de R$ 400), sem exigir que a criança siga um programa pautado por etapas, esse projeto se propõe a revisitar conceitos da educação infantil para formular novas linhas de aprendizado e “desaprendizado”, adotando práticas de experimentação. Um alento num país em que a educação é desculturalizada e onde a arte recentemente quase foi banida do rol de componentes curriculares obrigatórios.
“É sensacional que este projeto seja realizado no Parque Lage, que há mais de 40 anos abriga uma escola de arte renomada, onde estudaram grandes artistas, curadores e colecionadores. Agora, através desta iniciativa, passaremos a despertar nas crianças – desde muito jovens – o prazer com a arte e sua potência de transformação”, afirma Fabio Szwarcwald, atual diretor da EAV.
O menu de cursos é variado e, no período das férias de julho, traz desde arte brasileira para crianças a laboratório de inventos em arte e tecnologia, passando por experimentações em gravura. Há também o curso poesia e corpo, em que cada criança exercitará os sentimentos de independência e confiança na comunicação de ideias e na relação com o outro. Entre os exercícios propostos pelos professores Regina Neves e Pedro Rocha, os alunos deste programa se apresentarão ao grupo usando uma frase em vez de seu nome, farão poemas com recortes de palavras ou imagens de jornais e revistas, passeios em silêncio pelo parque e reproduzirão poemas ou músicas com o corpo. Tudo em meio à Mata Atlântica, num palacete que dispõe de terraço, piscina, jardins, gruta, trilhas e cachoeira.
Entre os professores dos dez cursos de férias, estão ainda Caroline Valansi, Maria Laet, João Atanásio, Rodrigo Garcia Dutra e outros (confira a lista completa de cursos e professores mais abaixo).
A criação de uma escola de arte contemporânea para crianças amplia ricamente a capacidade de expressão e de percepção de mundo, como um campo aberto à construção de sentidos. Por isso, a cada semestre, o Parquinho Lage irá adotar um vetor conceitual que lhe servirá de bússola. Na abertura do núcleo, neste 2º semestre de 2017, a palavra “sonho” foi eleita como campo de conhecimento por meio da descoberta do inconsciente e da identificação de riscos e desejos, pessoais ou coletivos.
O desenvolvimento da marca do Parquinho Lage foi confiado à dupla Fred Gelli e Marina Ribas, que se inspirou na obra Objeto Cinético P4, de Abraham Palatnik. A marca terá variações cromáticas dentro da paleta de cores da obra de Palatnik e ganhará em breve versões animadas.
As inscrições para o Parquinho Lage já estão abertas através do site.
Confira aqui a programação de julho – 03 a 28 de julho, de segunda a sexta:
Segundas-feiras | 9h – 11h
Oficina de Maquetes | Cidades possíveis
Professora: Priscila Fiszman
Idade: a partir de 8 anos
Taxa de material sugerida por aluno: R$ 100,00
Oficina para ativar o olhar à cidade e aos materiais que a compõem, despertar questões relativas ao uso do espaço urbano através de brincadeira e imaginação, e desenhar estruturas e engenhocas provocando as barreiras entre público/privado, permanente/temporário. Nas aulas, os processos da construção civil serão desmistificados dos ditos como “sérios”, “perigosos” e “dos adultos”. As crianças construirão maquetes com ferramentas e materiais de construção que estarão divididos e etiquetados em 3 cores: Verde sendo livre para uso, Amarelo – livre após ter sido capacitado e Vermelho– o uso da ferramenta só é possível acompanhado de um adulto. Com as devidas ferramentas, materiais e auxílio, que cidade as crianças construiriam?
SEGUNDAS-FEIRAS | 14h – 17h
POESIA E CORPO
Professores: Regina Neves e Pedro Rocha
Idade: de 6 a 12 anos
Neste curso, cada criança utilizará todo seu potencial para se comunicar, canalizando energias que muitas vezes estão dispersas. Cada participante exercitará os sentimentos de independência e confiança na comunicação de ideias e na relação com o outro. Entre os exercícios propostos, os alunos se apresentarão ao grupo usando uma frase em vez de seu nome, farão poemas com recortes de palavras ou imagens de jornais e revistas, passeios em silêncio pelo parque e reproduzirão poemas ou músicas com o corpo.
TERÇAS-FEIRAS | 9h – 11h
Brincar e sensibilizar o olhar
Professoras: Caroline Valansi e Maria Laet
Idade: a partir de 8 anos
Brincar não é apenas uma forma de entretenimento, mas uma vivência através da qual a criança desenvolve e cria seus vínculos com o mundo. Nesse espaço, as brincadeiras priorizam a ativação dos sentidos, através de materiais livres de narrativas anteriores a ele próprios, e abertos para que a criança possa investir neles sua realidade interna. A criatividade que se pretende tocar aqui não é a do talento artístico, mas a da capacidade de diálogo com o mundo, principalmente um mundo mais sutil, silencioso e invisível. As propostas vão abordar questões da percepção e formação da imagem analógica, desenho e fotografia, através de exercícios sobre textura, memória, luz e sombra, criação de um negativo fotográfico, cianotipia, e desenvolvimento de livro artesanal.
 
TERÇAS-FEIRAS | 14h – 17
Laboratório de inventos em arte e tecnologia
Professor: pequenoLAB (Marrytsa Melo e Filipe Machado)
Idade: de 6 a 12 anos
Serão propostas experiências para a construção de dispositivos sensíveis, olhando de forma ampliada para a arte, a ciência, o meio ambiente e a tecnologia. Vamos transformar ideias em projetos, objetos e traquitanas divertidas, integrando circuitos, desenhos, luzes, sons e movimentos. As atividades exploram o fazer criativo em diferentes vivências que alimentam a imaginação e a ação dentro do universo individual e coletivo das crianças.
 
QUARTAS-FEIRAS | 9h – 11h
Gravura, impressões e experimentações
Professor: João Atanásio
Idade: de 6 a 12 anos
De forma divertida e lúdica, esse curso apresentará processos gráficos artesanais e as possibilidades da reprodução em série. Serão propostos exercícios que envolvem brincadeiras e utilizam as técnicas mais simples de impressões (carimbos, monotipia, frottage, relevos etc.) para aproximar as crianças de elementos e conceitos da arte contemporânea. Durante o curso serão propostas execuções de projetos individuais e coletivos. Os alunos poderão usufruir dos espaços e equipamentos das oficinas do setor de imagem gráfica da EAV, além da área verde no entorno a escola.
QUARTAS-FEIRAS | 14h – 17h
FILME EXPERIMENTAL e SEM CÂMERA
Professor: Patricia Alves Dias e convidados
Idade: de 9 a 12 anos
Esse curso convida crianças a criar o seu “mundo de coisas” em um filme livre e experimental, com expressões plásticas como linhas e pontos, manchas e borrões, produzidas com diferentes materiais, texturas e processos. Um convite à interlocução com imagens e movimentos sem dispositivos digitais e eletrônicos, ou representações reais e figurativas. No lugar de películas fílmicas, os participantes vão desenhar suas sequências animadas em pequenos (en)quadros de rolos de papel de bobinas de calculadoras. Os desenhos, pinturas, ou colagens serão posteriormente fotografadas e montadas (pelos facilitadores) em sequências na produção de um filme coletivo. Cada cena, de 24 desenhos, poderá também ser (pré)vista no zootrope (brinquedos óticos do século 19).
QUINTAS-FEIRAS | 9h – 11h
Sonoridade da natureza
Professoras: Chiara Banfi e Fernanda Zerbini
Idade: crianças a partir de 6 anos
As vivências desse curso procuram coletar os diversos sons da natureza, engajando as crianças a explorar os jardins do Parque Lage. Para cada exploração sonora, as crianças serão convidadas a traduzir sua percepção em algo visual. Materiais utilizados: elementos encontrados na floresta, argila, tintas, pincéis, cola branca, papel, tecidos, temperos e legumes (para criar novas tintas), barbante, fio de nylon, caixa de som e microfone para gravar.
 
QUINTAS-FEIRAS | 14h – 17h
Arte brasileira para crianças
Professoras: Yasmim Flores e Fernanda Zerbini
Idade: a partir de 6 anos
O curso tem como referência as atividades propostas no livro Arte Brasileira para Crianças (Rio de Janeiro: Cobogó, 2016). As crianças serão estimuladas a explorar um repertório diversificado de linguagens e materiais que estimulem sua imaginação e criatividade. O curso valoriza experiências sensoriais e a vontade de comunicação. Cada encontro é uma vivência singular em espaços distintos da EAV: ateliê da escola, jardim, oca indígena e floresta, onde pequenas caminhadas possibilitarão o despertar da espontaneidade e de uma relação lúdica e livre da criança com elementos da natureza.
 
SEXTAS-FEIRAS | 14h – 17h
Inventando Geometrias
Professor: Rodrigo Garcia
A oficina propõe atividades em grupo, dentro e fora do ambiente de ateliê. Com a finalidade de servir de introdução à riqueza da arte e cultura indígena e africana, os encontros irão traçar um paralelo entre artistas históricos e contemporâneos, brasileiros, europeus, indígenas e africanos. As aulas acontecerão a partir de conversas coletivas, que constituirão um repertório estético comum entre as crianças, que serão estimuladas a observar geometrias orgânicas, presentes na arquitetura do palacete e na área do parque. A finalização do processo tomará a forma de um caderno de imagens. Materiais diversos, como: régua e lápis de cor/cera, dobraduras e recortes em papel e argila.
 
http://eavparquelage.rj.gov.br/parquinholage
 
 

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