Panorâmica Rosemberg | Cinemateca do MAM

Em novembro, a Cinemateca do MAM apresenta a mostra “Panorâmica Rosemberg”, dedicada a um dos artistas mais importantes e radicais da geração de cineastas que debutaram no final da década de 1960: Luiz Rosemberg Filho (1946-2019). Sua obra espelha a recusa a todas as formas de autoritarismo, combatendo com vigor os regimes ditatoriais, particularmente em sua face bélica no Brasil e no mundo, ao mesmo tempo que celebra o erotismo, a sexualidade e o amor. Mordaz, irreverente, irascível, afetuoso, Rô, como era conhecido pelos amigos, recebe com esta mostra uma primeira homenagem após seu falecimento.

Autor de filmes como “Jardim das Espumas”, “Crônica de um industrial”, “A$suntina das Amerikas” e o “Santo e a vedete”, ou mais recentemente, “Dois Casamentos”, “Guerra do Paraguay” e “Bobo da Corte”, Rosemberg tem extensa obra marcada pela experimentação estética e de linguagem que ocasionou diversas interdições pela Censura. Por vezes aproximado ao grupo do Cinema Marginal e outras ao do Cinema Novo, de fato Luiz Rosemberg construiu uma filmografia de caráter autoral e experimental que nunca se filiou a nenhum desses movimentos, ainda que tenha mantido diálogos e pontos de contato com ambos.

Se a produção de longas-metragens de Luiz Rosemberg é mais conhecida, há uma enorme produção em vídeo para ser apresentada a um público mais amplo. Além disso, Rosemberg tem uma enorme produção de artes visuais, em especial de colagens que constituem um universo de criação único, sem mencionar a profícua produção de ensaios e textos sobre cinema cuja extensão ainda precisa ser dimensionada.

As diferentes dimensões da obra de Rosemberg estão no cerne desta Panorâmica Rosemberg. Pensada e concebida em parceria com seus amigos e colaboradores mais próximos, a presente mostra busca promover um (re)encontro com a obra de Rosemberg a partir (e através) desses olhares carregados de afetos. São eles que estruturam essa homenagem e que nos ajudam a atravessar esse universo múltiplo e diverso que é a obra de Luiz Rosemberg. Nesta perspectiva privilegiou-se três eixos principais, a saber: uma retrospectiva de filmes, uma seleção de colagens e a publicação de parte de suas memórias. As obras e os textos poderão ser acessados no site panoramicarosemberg.art.br.

A curadoria da retrospectiva fílmica ficou a cargo de Renato Coelho, que selecionou 61 filmes, entre longas e curtas, que foram divididos em 22 programas. Os filmes abordam toda a trajetória de Rosemberg, desde seu filme mais antigo preservado, Jardim das Espumas, até seu último longa, Bobo da Corte, passando pelo produção de curtas e médias em suporte de vídeo. Além disso, o último programa reúne três filmes sobre Rosemberg e sua obra.

A curadoria das colagens criadas por Rosemberg ao longo da vida foi realizada por Maria Graciema de Andrade. Maria propõe uma seleção de 50 obras, muitas delas pertencentes e guardadas pelos amigos de Rosemberg, que eram presenteados com essas obras, outras oriundas da coleção depositada na Cinemateca pelo irmão Tito Rosemberg, junto com os filmes, biblioteca, escritos e documentos. Criadas sempre de forma artesanal e utilizando diversas técnicas, essas colagens nunca haviam sido reunidas e apresentadas como uma unidade autônoma.

Rosemberg realizou em torno de 60 filmes, escreveu mais de 80 roteiros não-filmados, criou mais de 2.000 colagens e publicou centenas de textos, deixando uma parcela muito maior inédita. Esse acervo está reunido na Cinemateca do MAM e futuramente será aberto a consulta pública. A Panorâmica Rosemberg procura, assim, apresentar o pensamento, o estilo e a radicalidade criativa de um cinema que nunca abriu concessões.

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