Antes de ser uma linguagem estruturada, a escrita nasceu do gesto gráfico, da marca que tenta fixar o efêmero em matéria visual. A exposição “Palavra e gesto”, com texto crítico de Camila Bechelany e curadoria de Claudio Cretti, explora justamente essa relação, focando no gesto do artista. A mostra reúne obras de diferentes gerações – Fabio Miguez, Maíra Dietrich, Marcelo Cipis, Marilá Dardot, Monica Barki e Rafael Alonso – oferecendo um olhar ampliado sobre como a palavra escrita se torna um significante na arte contemporânea, criando e deslocando sentidos.
Nas pinturas de Fabio Miguez e Rafael Alonso, a palavra tem uma presença visual que imprime ritmo e peso. Enquanto Miguez se apropria de fragmentos urbanos para criar uma composição construtiva e disruptiva, Alonso usa o texto com peso e humor para contrastar ou complementar a imagem. Para Marcelo Cipis, a palavra é parte essencial do jogo entre o que se vê e o que se lê. Em seus desenhos, legendas e figuras se fundem, mostrando que escrever é desenhar.
A exposição ainda destaca Marilá Dardot, que usa palavras com prefixos para explorar a criação da linguagem, e Maíra Dietrich, que aborda o texto como um fenômeno físico. Por fim, Monica Barki tensiona a fronteira entre palavra e imagem ao deslocar grafites e anúncios urbanos para objetos de arte, tornando a ambiguidade um campo poético.

