Pablo Accinelli e Gustavo Silvamaral | Casa de Cultura do Parque

Pablo Accinelli, Materia y memoria, 2016. Foto: Edouard Fraipont

Pela primeira vez desde sua inauguração, o deck da Casa de Cultura do Parque é ocupado por dois artistas simultaneamente. Pablo Accinelli (Buenos Aires, 1983) e Gustavo Silvamaral (Brasília, 1995) apresentam Metragens, projeto concebido em colaboração, que parte da relação entre objeto, corpo, tempo e espaço para investigar diferentes formas de medir e perceber o mundo. A partir do uso de materiais em comum, como vidro e metal, os artistas realizam intervenções pensadas especialmente para a área externa, que transformam a maneira como esses objetos são vistos e experimentados. O texto crítico é assinado pelo curador e pesquisador Omar Porto.

Pablo Accinelli vive e trabalha em Buenos Aires. Seus trabalhos propõem sistemas visuais que oscilam entre o literal e o metafórico, o uso e a observação, investigando as estruturas que moldam modos de habitar e interpretar o mundo. Articulando objeto e representação, linguagem e função por meio de desenhos, esculturas e instalações, o artista intervém no jardim do deck com uma espécie de caixa-aquário.

Escavada e construída sob a terra, a estrutura de vidro abriga uma série de produtos de limpeza que, em sua maioria, possuem como materialidade o plástico, uma das matérias de maior duração no tempo, e estabelece um diálogo direto com o estado efêmero das fontes criadas por Gustavo Silvamaral que, ao mesmo tempo, não cessa, devido ao fluxo contínuo de água.

O artista visual Silvamaral explora a escultura como uma extensão natural da pintura, propondo uma convivência possível entre essas linguagens. Em suas obras no deck, compostas por garrafas, taças, aço e alumínio, o artista combina referências culturais distintas e amplia o gesto de apropriação também presente no trabalho de Accinelli. Porém, enquanto modo de operar, Omar Porto observa que há uma ação de naturezas distintas a partir desses objetos. “A exposição questiona os sentidos da linguagem, suas representações e arbitrariedades, sem encerrar um aspecto de enigma que ativa a percepção e dá a dimensão inesgotável de produção de sentidos”, completa.

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