O Instituto Çarê esta com a exposição OUNJE – Ocupação Artística sobre Comida, Ancestralidade e Gestão Feminina Negra, concebida e produzida pela Capulanas Cia de Arte Negra. A mostra acontece na sede do Instituto, na Vila Leopoldina, zona oeste da capital paulista, com entrada gratuita até 28 de março.
A abertura integra o projeto Ocupa Çarê e começa às 14h, com recepção dos grupos Omodê Obá e Umojá. Das 15h às 16h30, as integrantes da Capulanas Cia de Arte Negra participam de uma roda de conversa sobre os eixos da ocupação. Das 16h30 às 17h30, o público acompanha uma visita mediada à exposição. A programação se estende das 17h30 às 20h, com a roda de música dos grupos Omodê Obá e Umojá.
“Ounje”, palavra de origem iorubá que significa “comer junto”, dá nome à ocupação que transforma o espaço expositivo em território de memória, afeto, organização e luta. A partir da comida como eixo central, o projeto propõe uma reflexão histórica sobre o papel das mulheres negras na gestão da vida comunitária, destacando a “casa do preparo” como espaço estratégico de administração de recursos, transmissão de saberes e construção de redes de cuidado e de resistência cultural.
A exposição também resgata experiências de organização feminina negra no Brasil, como a Sociedade Brinco de Princesa, fundada em 1925, em São Paulo, por empregadas domésticas que promoviam jantares para financiar a imprensa negra no pós-abolição. Em diálogo com o continente africano, a instalação convoca ainda a memória da Guerra das Mulheres na Nigéria, em 1929, quando milhares de mulheres igbo se mobilizaram contra a taxação colonial sobre alimentos, defendendo sua autonomia econômica e política.
A mostra integra o Programa de Residência Artística do Instituto Çarê em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros da USP – IEB, iniciativa que fomenta pesquisas e práticas artísticas a partir de acervos documentais, entendidos como territórios de disputa política e epistemológica.

