Ontologias | FAMA Museu e Campo

FAMA Museu e Campo apresenta mostra Ontologias, com obras dos artistas Cabral, Kandro e Marcos Amaro

Por meio de esculturas, pinturas e desenhos, os três artistas dialogam, trocam experiências e ideias sobre a existência do ser
A ciência do ser, uma parte da metafísica que trata da natureza, da realidade e existência dos seres. A ontologia é o estudo do “ser enquanto ser”, algo que o filósofo alemão Martin Heidegger denominava como “aquilo que torna possível as múltiplas existências”. A partir destas reflexões, os artistas Cabral, Kandro e Marcos Amaro trazem ao público esculturas, pinturas e desenhos que compõem a exposição Ontologias, em cartaz a partir de 14 de novembro, no FAMA Museu e Campo, em Itu.

A proposta de Ontologias vai além de uma exposição, a ideia é, a longo prazo, ser um grupo de reflexão entre artistas diversos. Nesta primeira edição, Marcos Amaro convidou dois artistas cujas pesquisas dialogam com a sua. Juntos, Amaro, Cabral e Kandro abrem a intimidade de seus processos artísticos e trazem suas reflexões sobre a existência. Eles se voltam para dentro e retratam na matéria suas emoções. Mostram ao espectador suas maneiras de agir e os motivos que sustentam seus trabalhos.

Para o artista multimídia Marcos Amaro, sua criação, em especial nestes tempos de pandemia, mostrou-se fundamental para sua existência, é a forma que encontrou para extravasar seu próprio ser. O artista faz da filosofia seu instrumento de investigação, se debruça nos escritos de pensadores icônicos como Friedrich Nietzsche, Jean-Paul Sartre e Heidegger para compreender mais o mundo e a si mesmo.

Deste processo, nasceram nove esculturas feitas em argila e fundidas em bronze. São, algumas delas, figuras disformes, que aludem a corpos em movimento. O conjunto dialoga com desenhos-pinturas feitos por Amaro em carvão e acrílica, trabalhos criados ora sobre madeira, ora sobre lona.

Próximo às obras de Marcos Amaro, o visitante vai se deparar com O inominável, escultura em gesso feita por Cabral. Inspirada no livro homônimo do escritor irlandês Samuel Beckett, a obra é composta duas cabeças conjugadas. Tal qual no livro, Cabral traz um ser quase descomunal e substitui as respostas pelas indagações.

Kandro, ou André Albuquerque, se enxerga por vezes como o Artista da Fome, do conto do escritor alemão Franz Kafka. O artista da fome não consegue viver de outra maneira, seu jejum, paradoxalmente, é vital. Assim como o protagonista da história, Kandro afirma que vive para sua arte e jamais conseguiria deixar de criar. Registra em pinturas retratos de seus alunos. Simultaneamente à produção artística, atua em uma organização sem fins lucrativos ajudando pessoas com deficiências diversas com a reabilitação através da arte. Ao passo que reflete sobre seu ser, conduz seus alunos ao mesmo, a externar, por meio da criação artística, o que há no interno.

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