A realização de editais de exposições temporárias é uma das ferramentas utilizadas pelo MAC USP para incentivar a produção artística contemporânea, oferecendo espaço para sua difusão e acesso do público. Olhos da Pele é uma proposta selecionada dentre os 166 projetos inscritos na segunda edição do edital – direcionada para artistas que ainda não haviam realizado mostras individuais em museus ou galerias. Elaborada a partir da pesquisa de um coletivo de artistas de Belo Horizonte, Salvador e São Paulo, a exposição apresenta um conjunto de 28 obras cujo aspecto comum é a investigação das relações humanas a partir do corpo, da matéria e de questões do cotidiano.
O grupo de artistas – Amanda Elosa, Clara Letizia, Gabriella Barbosa, Gabrielle Guido, Junia Penido, Milena Abreu, Nina Horikawa, Paulo Agi e Ro Ferrarezi – reuniu-se com o objetivo de apresentar a proposta ao MAC USP. Assim, “o grupo elabora também um exercício de curadoria, estabelecendo os diálogos entre as obras, construindo ressonâncias, reiterações, mas também ressaltando as particularidades de cada trabalho, suas singularidades – a pele de cada um, a perspectiva irredutível de um lugar de apreensão do mundo” diz Fernanda Pitta, curadora do Museu responsável pela exposição.
Mesclando mídias e técnicas, o coletivo de artistas produz objetos rugosos: imagens de traços fortes, esculturas cujas marcas do trabalho são visíveis, fotografias que transitam entre corpos e territórios diferentes. É um conjunto de objetos que experimentam corpos e sexualidades como fio condutor. O corpo e as experiências através dele são expostos como algo que, de tão subjetivo, torna-se universal. O corpo fora do corpo, um ideal de imperfeito ou um ideal individual, um olhar crítico sobre as relações menos racionais que possuímos: carnais, libidinosas, instintivas, desde o ato erótico ao ato de comer. Com essa mostra, tentamos aprender a ver com os olhos da pele.
Ao acolher o exercício desenvolvido pelos artistas e seus resultados, o MAC USP – museu público e universitário – reconhece a importância das práticas colaborativas e horizontais na arte contemporânea, reforçando o entendimento do museu como um espaço de acolhida e de escuta atenta à produção artística experimental e emergente.

