Objetos de Fé Afro-brasileiros | Museu de Sant’Ana

FOTO: Edgar Guerra

A forte espiritualidade africana atravessou o Atlântico, com os negros traficados, e escalou as montanhas de Minas Gerais. O legado foi a construção de um sincretismo religioso que, desde o período colonial, se faz presente em objetos de fé que fundem evocações e crenças e buscam incorporar a alma africana. Na exposição “Objetos de Fé Afro-brasileiros”, que o Museu de Sant’Ana inaugura no sábado (09/10), oratórios em diversos formatos e materiais traduzem essa sinergia construída pelo encontro de culturas dos povos formadores do Brasil. A mostra fica em cartaz no foyer do Museu de Sant’Ana, que é localizado em Tiradentes (MG), com entrada gratuita, até o dia 10 de janeiro de 2022.

Com curadoria de Angela Gutierrez, presidente do Instituto Cultural Flávio Gutierrez, que faz a gestão do Museu Sant’Ana, a exposição traz peças que estiveram onipresentes no espaço colonial, nas casas, na algibeira, na mina e na senzala, fundindo fé e cultura.

“Os oratórios de fatura afro-brasileira em exposição nessa mostra estão em seu estado original, tal como foram encontrados nas mais variadas situações. São instalações de diversos materiais que integram a fé e a arte, numa miscigenação do barroco com a alma africana”, afirma a colecionadora Angela Gutierrez. Ela completa que estes objetos religiosos, construídos no início da formação da sociedade brasileira, podem proporcionar uma reflexão sobre como as adversidades da história uniram povos e que a africanidade é parte indissociável da cultura brasileira.

Produzidos nos mais diversos materiais e técnicas, os oratórios são originários de Minas Gerais e do Nordeste do Brasil, alguns com apenas 5 centímetros e outros que chegam a quase 2,5 metros de altura.

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