O Tropicalista | Jardim Remoto | Espaço do coletivo NaCasa

FOTOS: Fernando Willadino

Dar voz é saber ouvir.

Segurar a reatividade de expressar verbalmente sentenças em ondas. Procurar o silêncio não forjado em absoluto. Há sons que circundam o tempo todo, abafados pelos ruídos dos maquinários, vozes sorrateiras internas, o tic-tac regular que suspende a respiração.

Neste estado de ânsia não se percebe e não se vive, a não ser o ritmo (in)voluntário que movimenta o corpo programado. Ouvir é sabedoria. Emocionar a carne-invólucro-corpo. Ouve-se pelos poros, toques em motricidade fina, percepção de uma ação afetada pela presença.

Assembleia, mais recente trabalho do duo O Tropicalista, coloca em debate a questão emergencial de compreender além do que é habitualmente proclamado como existência, considerado vivo. A instalação inaugura o Jardim Remoto, espaço expositivo a céu aberto do Coletivo artístico NaCasa, em seu novo endereço em Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis (SC).

“Assembleia é sobre dar voz a todas as coisas, estabelecer um parlamento que produza simetria entre entes bióticos e abióticos. Convocar uma reunião para discutir e deliberar sobre o que deveria ser nosso maior interesse comum. É sobre escutar os sussurros, as falas, os cantos e os clamores por reviravoltas epistemológicas, ontológicas e políticas”, explicam Marcelo Fialho e Marco D. Julio.

Os artistas também tratam a instalação como dispositivo formado por pequenos mundos – arranjos em paisagens multiespecíficas – cada qual com seu ecossistema habitado por seres micros e macroscópicos, visíveis e invisíveis, que convidam para conversas comprometidas com a construção de um ethos transespecífico.

“A instalação tem disposição circular com esculturas de cerâmica povoadas por plantas, como um micro ecossistema, sustentadas por vigas de madeira. Há um banquinho para ser ocupado, bem receptivo. Você senta para ouvir o silêncio, o tempo, o tempo que tem a ver com a construção de um jardim orgânico, um tempo que rasga a própria lógica do tempo”, acrescenta Anna Moraes, cogestora do Coletivo NaCasa.

Além de ocupar o jardim de forma perene com a instalação, o convite aos artistas incluiu compartilhar, por meio das mídias sociais @coletivonacasa e @otropicalista, as referências, reflexões e desdobramentos de seu processo criativo. A visitação ao local poderá ser realizada mediante agendamento prévio com a equipe do Coletivo.

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