O Tempo Completa: Burle Marx, clássicos e inéditos | Casa Roberto Marinho

Três meses após o Sítio Burle Marx ser reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco, a Casa Roberto Marinho inaugura a exposição O Tempo Completa: Burle Marx, clássicos e inéditos. Primeira mostra de acervo do Instituto Burle Marx, a individual vai ocupar toda a área expositiva da Casa a partir do dia 30 de outubro.  

Um mergulho profundo na obra do mais importante paisagista do século XX é o que espera o público: são cerca de 130 peças, entre desenhos, fotografias, plantas de projetos, croquis, maquetes, documentos e pinturas (inéditos e clássicos) selecionados pelos curadores Lauro Cavalcanti e Isabela Ono.

A primeira exposição do acervo do instituto sem fins lucrativos, criado em 2019, deixa clara a contemporaneidade da narrativa que o paisagista, pintor, desenhista, escultor, litógrafo, serígrafo, designer de joias, explorador botânico, arquiteto e urbanista criou em parceria com seus colaboradores e transformou em missão ao longo de seus 85 anos de vida. 

Cavalcanti revela a intenção de ressaltar a faceta precursora de ativista do artista plástico que reivindicou a conservação das florestas brasileiras: “Burle Marx foi um incansável precursor na defesa do meio ambiente. Incorporou à sua atividade, na condição de maior paisagista mundial, a missão de proteger as florestas e os biomas nacionais. É esse legado que homenageamos”, afirma Cavalcanti, diretor da Casa Roberto Marinho.

A escolha do instituto cultural no Cosme Velho para receber a exposição não é aleatória: os dois Robertos — Marinho e Burle Marx — foram amigos por toda a vida e coube ao paisagista assinar os jardins da residência do jornalista, em 1938. O projeto é da mesma época do paisagismo do Ministério da Educação e Saúde, atual Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro, considerado uma obra-prima pela forma como adaptou aos trópicos o traço internacionalista de Le Corbusier.

“Burle Marx dizia ‘o tempo completa’ quando se referia à participação orgânica das espécies na criação da beleza. Mas, também, nos alertava que os lentos processos da milenar natureza podem ser destruídos em simples horas pela ignorância e pela ação mecânica violenta”, lembra Cavalcanti, que sugere aos visitantes apreciarem a exposição como uma “oração ao tempo”. “É uma forma de nos sentirmos parceiros desse legado em nossa passagem pelo planeta”, completa o curador.

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