O Ovo e a Galinha | Simone Cadinelli Arte Contemporânea

Simone Cadinelli Arte Contemporânea inaugura a exposição “O Ovo e a Galinha”, que abre as comemorações do centenário de Clarisse Lispector (1920-1977), com obras dos artistas Claudio Tobinaga, Gabriela Noujaim, Jeane Terra, Jimson Vilela, Leandra Espírito Santo, Roberta Carvalho e Ursula Tautz formando pares com trabalhos emblemáticos de Anna Bella Geiger, Claudia Andujar, Cildo Meireles, Ivens Machado, Leticia Parente, Rubens Gerchman e Waltercio Caldas. O curador Ulisses Carrilhopartiu da metafísica do conto “O Ovo e a Galinha” (1964), de Clarice Lispector, para “investigar uma hipótese: a ideia de desejo não é um privilégio humano, opera também entre os objetos”.“Como num duplo fantasmático, trabalhos apresentam-se aos pares. Reflexos e distorções sublinham semelhanças num regime de coincidências, concomitâncias”, comentaUlisses Carrilho.

As obras em vídeos, videoinstalações, áudios, pintura, escultura, vinil, matrizes gráficas, pertencem a acervos dos próprios artistas e a coleções públicas e privadas.As duplas de artistas que terão suas obras aproximadas são:Claudio Tobinaga/Rubens Gerchman, Gabriela Noujaim/Anna Bella Geiger, Jeane Terra/Ivens Machado, Jimson Vilela/Waltercio Caldas, Leandra Espírito Santo/Leticia Parente, Roberta Carvalho/Claudia Andujar, e UrsulaTautz/Cildo Meireles.

O curador ressalta que não buscou uma narrativa linear, e que a reunião dos trabalhos acabou por provocar uma atmosfera muito sutil, enevoada, “de uma espécie de descrença e ideia de fim de mundo”. A indefinição entre o que é realidade e absurdo também percorre a exposição. “Há uma impossibilidade de lidar com as coisas no sentido binário como sempre fizemos”, diz. Ele observa que alguns elementos se repetem, como no conto de Clarice, que menciona 148 vezes a palavra “ovo”. “Escombros, barcos, corpos, metafísica, nonsense, sombra”, cita Ulisses Carrilho. A fita de Moebius – criada pelo matemático e astrônomo alemão August Ferdinand Moebius, em 1858 – que passou a simbolizar a ideia de infinito, onde não há “dentro e fora”, também está presente em vários trabalhos. “O ovo é impossível. Resistente e frágil. Forte e fraco. Contém tudo e é contido pela galinha”, lembra.

Ulisses Carrilho observa também que em contraposição à explosão de luz e cores no primeiro andar, o segundo é marcado pela penumbra com luz localizada. “Nem todos diálogos são diretos”, ele ressalta.

 

 

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