Se olharmos para as obras de arte criadas no ano em nascemos, o que podemos descobrir sobre nós? O museu sem fim de 1976, palestra-performance da artista de teatro, crítica e curadora Daniele Avila Small, é uma visita guiada por um museu imaginário com uma exposição de obras de arte e pensamento crítico criadas por mulheres no ano de seu nascimento, 1976, escolhidas a partir de entrelaçamentos entre sua história pessoal, o imaginário da astrologia e a história da arte
O museu sem fim de 1976 (Sala 1: Uma erótica da crítica) parte da comemoração de 15 anos da revista Questão de Crítica – projeto indicado ao Prêmio Shell 2023 na categoria “Energia que vem da gente”, e é a primeira de uma série de palestras-performances em que a artista compartilha com o público a experiência de olhar para obras de arte com uma perspectiva crítica.
Trata-se de uma visita guiada a um museu imaginário. Neste museu, encontram-se obras de arte e reflexão crítica criadas por mulheres em 1976, ano de nascimento da artista. Ao falar dessas obras, compartilhando imagens e ideias, ela reflete sobre as mentalidades e os afetos que estavam em pauta em meados dos anos 1970 para mulheres em diferentes contextos, como Beatriz Nascimento, Susan Sontag, Ana Mendieta e Francesca Woodman.
O mapa astral da artista dá as cartas da curadoria deste museu, trazendo a astrologia para a cena como uma lente criativa, que oferece um repertório imagético e narrativo inusitado para a abordagem das artes, da história e das narrativas de si.
Inédito, o projeto foi contemplado pelo edital Firjan SESI de Cultura no Rio de Janeiro.
Desde 2008, a Questão de Crítica tem se posicionado como um espaço de reflexão sobre a cena contemporânea no Rio de Janeiro e no Brasil, publicando 73 edições até agora, produzindo encontros com profissionais de diversos estados do país, oferecendo cursos, publicando livros e realizando uma importante premiação, o Prêmio Questão de Crítica, que atuou na cidade entre 2011 e 2019, movimentando o pensamento sobre as artes e interferindo nos valores simbólicos dos trabalhos dos artistas que se dedicam à pesquisa de linguagem na cidade e no país.
Um dos pontos de partida do processo criativo de O museu sem fim de 1976 foi um questionamento da idealizadora e editora da revista sobre a sua opção por priorizar a crítica, uma prática tão pouco compreendida e cada vez menos valorizada, e o seu entendimento desta atividade como parte da sua prática artística. Com esse trabalho, ela analisa e compartilha com o público o exercício constante de falar e escrever sobre obras de arte como formas de elaboração sobre o mundo e sobre si.
O museu sem fim de 1976 é, portanto, o compartilhamento de um mergulho nessas questões, a exposição de uma espécie de escavação, que pode colaborar para formar novos públicos na medida em que convida is espectadores a experimentar o entusiasmo pela arte e pelo pensamento crítico.
O espetáculo conta ainda com um elemento inesperado, a astrologia, que neste projeto é abordada como uma espécie de jogo, um espelho criativo. Para articular uma triangulação com a investigação histórica e a reflexão sobre si, a artista recorre a este campo de saber milenar, a mais longeva ferramenta de conhecimento sobre o ser humano, que conta com mais de três mil anos de história.
Vale ressaltar que a fruição do espetáculo não demanda conhecimento prévio sobre astrologia. No entanto, a astrologia, nos últimos anos, tem ganhado cada vez mais adeptos e estudiosos; os canais dedicados ao tema nas redes têm cada vez mais seguidores e visualizações. Assim, a abordagem dessa temática pode trazer para o teatro um público numeroso e diverso, atraído por uma abordagem inédita desse campo de conhecimento tão antigo e instigante.


