O MAR QUE ATRAVESSAMOS

Fernando Vilela – que já tem um trabalho conhecido por mesclar linguagens gráficas, como xilogravura e fotografia em grandes formatos, além de instalações que jogam com a ambiguidade do plano e do espaço – traz nesta exposição ensaios fotográficos e narrativas gráficas acerca da memória. Segundo o artista, de alguma maneira, refletem-se nestas obras vestígios de seu registro pessoal, de alguém que nasceu e cresceu em uma família especialmente engajada na luta contra a ditadura no Brasil. A exposição reúne 35 fotografias, livros de artista, objetos de ferro, um vídeo e desenhos que combinam fotos e gravuras sobre papel.

Na entrada da galeria estão os ensaios fotográficos. Em NOTURNAS, série de 10 imagens, a escuridão da noite e da tinta – negro de fumo sobre papel de algodão – remete ao denso preto aveludado da gravura em metal. Já CELESTE, na parede oposta, cria um contraponto ao reunir 15 fotografias de nuvens, fumaças, explosões e céus de pinturas. A sequência dessas fotos confunde o olhar, não se sabe se é imagem fotográfica, fragmento de pintura ou cena de um filme. Porém, cada obra ganha sentido narrativo quando se percebe que em seu título não há nome, mas data e lugar. Os elementos temporais e espaciais presentes no título criam um diálogo dessas imagens com outra série de obras expostas na segunda sala da galeria.

Nesta outra sala, uma parede comporta diversas prateleiras de livros de ferro oxidados. Alguns deles encontram-se rasgados, violados, outros lacrados permanentemente e ainda outros, abertos, podem ser folheados. Em outra parede, imagens que misturam fotografias e gravuras constroem estranhas narrativas visuais, como fragmentos de uma novela gráfica (ou biográfica). A mostra O MAR QUE ATRAVESSAMOS convida o visitante a caminhar em um tempo fluido de uma cidade que nunca se desvela totalmente. São conversas entre imagens e memórias de um espaço que pode parecer estranhamente familiar.

Fernando Vilela

Nascido em São Paulo em 1973, Fernando Vilela é artista plástico, ilustrador, autor, possui graduação em artes plásticas pela Unicamp e mestrado em artes pela ECA-USP. Como artista plástico, desenvolve trabalhos com gravura, desenho, colagem, escultura, instalação e fotografia. Atuante desde a década de 1990, realizou exposições na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Centro Cultural São Paulo, no Centro Universitário Maria Antônia e em 2010 foi contemplado pelo Prêmio Funarte de Arte Contemporânea. No exterior expôs na Bélgica, França, Estados Unidos e México. Possui obras em importantes coleções: MoMA de Nova York, Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em São Paulo Vilela é representado pela Galeria Virgilio (www.galeriavirgilio.com.br). Além de artista, Fernando é autor e ilustrador com livros publicados em oito países. Em 2007 recebeu três prêmios Jabuti pela sua obra Lampião e Lancelote (Cosac Naify, 2006)e a Menção Novos Horizontes do Prêmio Internacional Bologna RagazziAward. Para conhecer mais o trabalho do artista, acessar o site: www.fernandovilela.com.br

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