O estrangeiro daqui | Sesc Casa Amarela

Todos podem ser “o estrangeiro daqui”, depende do ponto de vista de onde se olha e do lugar onde nos posicionamos para olhar. Olhar o quê? Quem? Coisas? Geografias? Comportamentos? Talvez olhar a engrenagem do ir e vir dos lugares que nos cercam e que muitas das vezes passam despercebidos ou porque olhamos e não queremos ver ou simplesmente não olhamos, mesmo estando lá.

Essa exposição acontece em caráter emergencial, num tempo em que se não gritarmos seremos calados descaradamente. A voz aqui é aquela que precisa ecoar por todas as partes, por todos os cantos. É uma voz cifrada, dita através de imagens congeladas, de depoimentos filmados e de uma pele que recria a utilização do pano para um corpo que se refaz, que não arrefece e que é capaz de muitas transformações.

O Projeto Transborda – As Linguagens da Cena, integrado com a Mostra Capiba de Artes, na tentativa de descobrir novos territórios de atuação, levou para o Alto Santa Terezinha e o Moro da Conceição seis residências artísticas: Audiovisual – Memórias Que o Corpo Conta (Tuca Siqueira), Dança – Frevo Corpolítico: Frevo, Política e Poesia (Flaira Ferro), Teatro – O Corpo Como Cenário da Vida (Edjalma Freitas), Música – Percussão – O Despertar da Pirâmide Rítmica (Lucas dos Prazeres), Fotografia – Redescobrindo o Que Me Cerca (Marlom Meireles) e Moda – A Pele e o Pano (Carol Frexeira e Paulo Pinheiro). Através do que foi construído com alunos dessas residências (em média 30 horas cada) que essa exposição foi construída. Por opção curatorial, o foco foi direcionado para a fotografia, o audiovisual e a moda. Porém, com intervenções/performances de dança, música e teatro.

A exposição “O Estrangeiro Daqui” quer agregar valores e pessoas e jamais excluir. Quer trazer a tona e discutir sobre as várias cidades dentro da mesma cidade, dos inúmeros artistas, que independente de serem anônimos, tem a arte pulsante no pensamento e na feitura, tendo a necessidade de captar olhares e se expressar para o mundo. Até porque o mundo, muitas vezes, pode caber na palma da mão, dentro do coração, ou nas manchetes sensacionalistas que cruzam invisivelmente fronteiras.

Que o estrangeiro seja sempre bem vindo, independente da parte do mundo que habita.

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