Novas Aquisições – Coleção Artistas Goianos, sob curadoria de Paulo Henrique Silva, apresenta a potente produção de artistas de Goiás. A exposição, que fica aberta à visitação até 31 de outubro, reúne dez nomes que têm contribuído para consolidar o estado na cena da arte contemporânea brasileira: Anna Behatriz Azevedo, Benedito Ferreira, Chico Silva, Emiliano Freitas, Estevão Parreiras, Fernanda Adamski, Glayson Arcanjo, Manuela Costa Silva, Rafael de Almeida e Raquel Rocha.
Realizada pela Associação dos Amigos da Galeria de Artes Antônio Sibasolly, com apoio do Edital de Fomento às Artes Visuais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) via Secretaria de Estado da Cultura (Secult-GO), a mostra apresenta um recorte vigoroso das linguagens que emergem do território goiano e que se projetam para além do centro-sul hegemônico do país.
A exposição se estrutura a partir de três grandes linhas de força: território, memória e Cerrado. Não apenas como temas, mas como modos de relação que perpassam as obras. Cada artista, a seu modo, ativa dimensões sensíveis da experiência — do desenho que respira como pele ao cartaz ético que convoca a coletividade; da ritualidade íntima ao gesto público; da fabulação que reencena mitos ao registro da paisagem tensionada pela expansão agropecuária.
Segundo o curador, a proposta é “dar visibilidade a práticas que sustentam o diálogo entre o local e o global, confrontando estigmas de marginalização e devolvendo ao Centro-Oeste sua centralidade como horizonte ativo da arte contemporânea brasileira”.
Percurso sensível: quatro arcos curatoriais
A narrativa expositiva não busca semelhança ou homogeneidade. Pelo contrário, organiza-se em quatro arcos que ativam modos distintos de presença:
- O contato da matéria: Anna Behatriz Azevedo e Estevão Parreiras fazem do desenho um organismo vivo, onde o papel devolve gestos e respira como pele em cicatriz ou camada aquosa.
- Aparição e voz: Manuela Costa Silva e Emiliano Freitas exploram os pactos de presença, entre o murmúrio íntimo e a performance cotidiana.
- Ritual, denúncia e bioma: Raquel Rocha, Chico Silva, Rafael de Almeida, Glayson Arcanjo e Fernanda Adamski expandem a relação com território e política, da força cromática frontal à atenção delicada às marcas do Cerrado.
- A fabulação como contágio: Benedito Ferreira opera entre sonho e documento, permitindo que mito e cotidiano se contaminem mutuamente.
Essa costura, longe de se fixar em fronteiras rígidas, propõe ao público um mapa sensível de Goiás, em que memória, cuidado, resistência e imaginação convergem.
Educação e acessibilidade
Mais do que exibir obras, o projeto assume papel formativo. Foram pensadas ações educativas voltadas à rede pública de ensino e também ao público espontâneo, com mediações que estimulam repertório crítico.
A acessibilidade é central: há audiodescrição, QR Codes táteis, interpretação em LIBRAS e será elaborado um catálogo bilíngue com encarte em braille, garantindo que os conteúdos circulem de forma inclusiva e permaneçam para consulta posterior.


