O Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC Niterói) tem o prazer de convidar para abertura, no dia 29 de novembro de 2025, das 15h às 18h, da exposição “Tirando Onda”, do artista Not Vital, nascido em 1948, em Sent, no vale do Engadine, na Suíça, com obras recentes e inéditas. Not Vital é reconhecido internacionalmente, com exposições constantes na Europa, EUA e Ásia. Seu trabalho está presente em numerosas coleções privadas, e várias públicas, como Bibliotheque Nationale, Paris; Kunstmuseum Bern, Berna; The Museum of Modern Art (MoMA), Nova York; Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York; e Toyota Municipal Museum of Art, Aichi, Japão, entre outras importantes.
No MAC Niterói, Not Vital irá colocar várias esculturas na área externa do Museu, todas de 2025: “Moon” (“Lua”), em aço inox, com 1,85 metro de diâmetro, e um conjunto de cinco peçasem granito, trazidas do Espírito do Santo, criadas especialmente para a exposição, da série que dá nome à mostra: “Tirando Onda”, com cerca de 2,8 metros de comprimento e peso em torno de meia tonelada cada. O título da exposição se refere, de forma bem-humorada, ao fato de que embora o artista tenha sido criado cercado pelas montanhas nevadas da Suíça esteja expondo em uma região cercada por mar. “Nós também surfamos na neve”, brinca.
No grande salão do primeiro andar, construído de modo a provocar uma ilusão de ótica no visitante, que pensa que o espaço é circular, quando na verdade é quadrado, Not Vital usará apenas o chão, para celebrar o arquiteto Oscar Niemeyer, que considera “um dos mais influentes arquitetos da história”, autor do projeto do MAC Niterói. Estarão espalhadas sobre o chão “2222 Snowballs” (Bolas de Neve) feitas em gesso branco, com aproximadamente dez centímetros de diâmetro cada, em uma alusão ao seu local de nascimento, na Suíça, e uma espécie de “presente para o público do Museu”, já que o Brasil é conhecido como país tropical, com imenso litoral, sem neve, com a exceção de eventos episódicos na Serra de São Joaquim, em Santa Catarina. “Quando meus amigos brasileiros viam a neve pela primeira vez gostavam de pegar nela, de ver seu cheiro. Acredito que 98% dos brasileiros nunca tiveram contato com a neve”, diz Not.
“Eu via noNíger como os habitantes apreciavam a queda das laranjas das árvores como um presente dos céus. A neve é isso também. Cai do céu”. O artista comenta que gosta muito de usar o gesso como material em seus trabalhos, justamente por ser o que mais “se assemelha à neve”. “Tenho que trabalhar rapidamente, porque ele endurece logo”, observa. Ele destaca também que a relação dele com a cor branca, muito presente na paisagem que o cercou desde a infância, “é muito forte”. “Este trabalho é uma espécie de convite, para o público ver o espaço junto com as obras”, destaca.
No segundo andar do MAC Niterói, em que Not Vital restaurou as paredes das salas expositivas, retirando os painéis de madeira que as cobriam, e devolvendo a pintura original, estarão catorze pinturas em grande formato, os autorretratos. Bancos não convencionais – pedras rústicas – serão instalados ali para que o público possa apreciá-las. No mesmo espaço, estarão duas esculturas quartzito preto, com aproximadamente 77 centímetros de comprimento, que têm a forma das orelhas do artista, a esquerda e a direita. Para o artista, a presença dessas esculturas é importante por que as pinturas falam.
Embora se veja principalmente como escultor, em que fica evidente seu interesse pela natureza, com uso de materiais diversos, e tenha também se notabilizado por suas construções poéticas, as “SCARCH” – termo cunhado pelo artista, com a junção das palavras escultura e arquitetura em inglês (“sculpture” + “architecture”) – Not Vital passou também, a partir de 2008, a se dedicar à pintura, e a retratar as pessoas do seu entorno – amigos, assistentes. Depois passou a chamar essas pinturas de autorretratos. Essas pinturas, entretanto, também guardam uma certa tridimensionalidade, pelas diversas camadas de tinta que lhe conferem transparências, e pelo fato de Not gostar de cobri-las com vidros transparentes, criando reflexos.
“Sou um escultor que pinta”, diz Not Vital, que compara suas pinturas a “subir uma montanha”. “Você quer chegar ao pico. Há diferentes maneiras de chegar lá, enquanto as paisagens, a luz, a forma e a cor mudam constantemente”, descreveu ele para Alma Zevi, autora de seu mais abrangente livro – “Not Vital: Sculpture 1964-2021” (Skira, 2023), com 468 páginas.
Suas pinturas costumavam ter a paleta entre o branco e o preto, passando pelos cinzas, reflexo de sua referência primordial, a paisagem do vale do Engadine. Mas desde que passou a vir para o Brasil com mais constância, e ter decidido, no final de 2022, instalar aqui uma de suas casas-ateliês, mais precisamente em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, ele passou a utilizar toques de outras cores, como o amarelo. Agora, ele está usando o azul-prússia – “não sei de onde surgiu esta cor”, diz ele, que se encantou com a fábrica de tintas a óleo artesanais Joules & Joules, dos artistas Bruno Dunley e Rafael Carneiro, e comprou vários tubos.
Muitas vezes perguntam para o artista a origem de seu nome, e muitos, para divertimento dele, pensam se tratar de uma marca. Ele explica que o idioma falado em sua região, no vale do Engadine, é o romanche, e “Not” significa noite. Preocupado com a extinção desta antiga língua, Not Vitalcriou uma fundação em Engadine, e a partir dela, além de manter um Parque de Esculturas em Sent, e o Castelo de Tarasp, construído no século 11 – ambos abertos ao público –, ele criou a Casa Planta em Ardez, erguida no século 17, e que abriga uma importante biblioteca no idioma romanche. Artistas como Richard Long, o ator Jude Law, o escritor Gore Vidal e o arquiteto Norman Foster já estiveram com Not Vital nesses locais.
Not Vital foi um dos poucos artistas a participar tanto da Bienal de Veneza de Arte de 2001 como da Bienal de Veneza de Arquitetura, em 2021.
Sua exposição individual “Not Vital: What does the wind do when it doesn’t blow? “[Qué hace el viento cuando no sopla?], uma parceria entre o proyectoamil e o Museo de Arte de Lima (MALI), foi inaugurada em outubro e fica em cartaz até 14 de fevereiro de 2026.
Em 2024, fez as exposições individuais: “Not Vital – Contemplating”, na Thaddaeus Ropac, em Paris; “Not Vital. Contemplaciones”,naGalerie Nordenhake (2024), na Cidade do México;“Not Vital – Silence”, Galerie Tschudi, Zurique, Suíça; em 2022: “Not Vital. Paintings”, Thaddaeus Ropac, Salzburgo, Áustria; “Not Vital. 10 Paintings”, Galerie Urs Meile, Beijing; “Not Vital. Ad Agosto ritornano le rondini”, Alfonso Artiaco, Nápoles, Itália; “Not Vital. A vida é um detalhe”, Nara Roesler São Paulo; “Not Vital. Fine Fain”, Stalla Madulain, Madulain, Suíça; “Not Vital: Scarch”, Abbazia di San Giorgio, na 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza (2021), Veneza, Itália; “Scarch”, na Hauser & Wirth (2020), em Somerset, Reino Unido; “Let One Hundred Flowers Bloom”, na Galerie Andrea Caratsch (2019), em St. Mortiz, Suíça; no Ateneum (2018), em Helsinque; “Not Vital. Saudade”, Nara Roesler São Paulo (2018), em, Brasil, e no Yorkshire Sculpture Park (2016), em Wakefield, Reino Unido. Seus trabalhos estiveram presentes nas coletivas: “Mães: Not Vital & Richard Long”, na Nara Roesler (2024), no Rio de Janeiro, Brasil; 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza (2021); “Passion: Bilder von der Jagd”, no Bündner Kunstmuseum Chur (2019), em Chur, Suíça; “Surrealism Switzerland”, no Aargauer Kunsthaus (2018), em Aarau, Suíça; “Saudade”, Nara Roesler São Paulo(2018), “Illumination”, no Louisiana Museum of Modern Art (2016), em Humlebæk, Dinamarca; “Simple Forms: Contemplating Beauty”, no Mori Art Museum, em Tóquio.
“Em 2015, Not Vital fez sua primeira individual na América do Sul, no Paço Imperial, Rio de Janeiro. Participou das coletivas “Aberto/01”, na Casa Oscar Niemeyer, em São Paulo, em 2022, “Ar livre: esculturas de grande escala na Fazenda Boa Vista (2020), e“Roesler Hotel #29: Reflections on Time and Space” (2019), na Nara Roesler São Paulo.

