Noites de Sol | Oficina Francisco Brennand

Crédito Marina Domar

“Noites de Sol”: mostra inédita da Oficina Francisco Brennand investiga disfarces de luz unindo poesia e artes visuais

Em cartaz a partir deste sábado (8), exposição com curadoria de Rita Vênus põe em diálogo o universo noturno e incandescente da poesia de Deborah Brennand com a linguagem visual da artista amorí. No dia de abertura, museu-ateliê terá bilheteria gratuita para todos os públicos

A Oficina Francisco Brennand inaugura, no próximo sábado (8), a exposição inédita “Noites de Sol”, um encontro entre a poesia de Deborah Brennand e a pintura contemporânea da artista amorí a partir do poema homônimo da autora, publicado pela primeira vez no livro “Noites de Sol ou As Viagens do Sonho” (1966), no qual imagens intensas de luz e temas como tempo e sonho se fazem presentes. A mostra também inclui o desenho “O sonho” (1950), de Francisco Brennand, que se conecta ao poema que inspira o projeto. A exposição tem curadoria de Rita Vênus, e ficará aberta ao público durante seis meses na entressala do Cineteatro do museu-ateliê.

Inspirada pelo livro publicado em 1966, amorí desenvolveu a obra inédita “tudo aceso no profundo azul da noite”, conectada aos principais aspectos da poesia de Deborah. Apesar de pertencentes a gerações e linguagens distintas, as artistas possuem pontos em comum na criação de suas obras, a exemplo das paisagens atravessadas pela luz e dos seres disfarçados de estrelas. Ambas partem, ainda, de um imaginário rural predominante nas localidades onde nasceram: são de origem pernambucana, especificamente das Zonas da Mata Norte e Sul. A mostra surge, portanto, sob ideia e propósito de reapresentar a obra de Deborah Brennand, no ano em que se completa a primeira década de seu falecimento, ampliando as possibilidades de alcance de sua criação no contemporâneo por meio do diálogo com a linguagem visual.

Para a curadora, a obra de amorí cria conexões diretas e tangenciais com o texto poético de Deborah. Assim, dentro do imaginário da autora, é possível perceber diversos aspectos refletidos na obra visual. “As paisagens de nuvens são imagens presentes na obra das duas artistas, muitas vezes ligadas à passagem do tempo. Eu falo que com Deborah viajamos a um primeiro jardim, pois ela faz muitas referências ao Éden e à presença das folhas e frutos vermelhos, por exemplo. E com amorí, é como se fôssemos levadas a um último jardim, de uma terra mais arrasada, porém cheia de matéria luminosa e brincante. Em troca com Aura do Nascimento, ela me falou algo bonito sobre a obra de amorí: é como se a artista criasse um site-specific dentro da mente dela e revelasse isso na pintura”, observa Rita Vênus.

Ela acrescenta que, na Oficina Francisco Brennand, a literatura, especialmente a poesia, encontra um terreno fértil para se desenvolver e se espalhar pelos espaços da cidadela, pelos seus muros e pelo conjunto escultural. “A presença de trechos literários em todo o museu-ateliê depõe a íntima relação do artista com a palavra. ‘Noites de Sol’ é um projeto voltado a estabelecer conexões entre a Oficina e a arte contemporânea, enaltecendo o talento das artistas e reafirmando a importância da Oficina como um dos grandes polos culturais do Brasil” finaliza.

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