Newton Mesquita | Museu de Arte Brasileira da FAAP

O artista plástico Newton Mesquita abre a exposição Desígnio, no Museu de Arte Brasileira da FAAP. Com curadoria de Fábio Magalhães, a mostra traz 82 obras que fazem um amplo panorama da trajetória pictórica do artista. No salão de abertura da exposição, haverá um espaço expográfico reproduzindo o atelier do artista, onde o público poderá acompanhar a execução de uma obra inédita, em datas a serem definidas. 

Com mais de 50 anos de carreira, Newton tem uma trajetória singular nas artes plásticas brasileiras. Premiado, já expôs na América Latina, Estados Unidos, Europa e Japão. A atual exposição é a sua 56ª individual, com uma trajetória que começou a ter reconhecimento entre as décadas de 1960-1970. “A sua arte tem um caráter de figuração de matriz fotográfica e incorpora elementos da abstração”, afirma o curador Fábio Magalhães. “É um artista urbano, que retrata cenas banais da cidade, fazendo um realismo do cotidiano”. E afirma: “é um dos poucos artistas que trabalham muito bem a penumbra, o entardecer, a luz que filtra entre as sombras. Ele é um artista da luz”. 

Segundo Fernanda Celidonio, diretora administrativa do MAB FAAP: “Newton pinta com paixão, intuição e descontração. Não sinto tensão ou angústia diante das telas, mas vontade de entrar nelas e poder fazer parte daquele momento roubado do tempo”. E arremata: “na verdade o que guia Newton é a luz. As cenas só existem para que ele possa expressar a luz que vê. A luz e suas sombras, igualmente importantes em sua obra”.

 

A fotografia e a cidade de São Paulo como influências de sua obra

Entre as obras mais recentes apresentadas na exposição, estão algumas pinturas feitas em 2023, como É de manhã, Ibirapuera, Noite no Ibirapuera, Onírico, Praça da Sé, Pipoqueiro no Parquinho e Santa Ifigênia. A cidade de São Paulo é uma das suas maiores inspirações. Uma das suas maiores influências vem de seu pai, um fotógrafo amador que tinha um laboratório em casa. “As minhas lembranças se confundem com as fotos do meu pai”, conta o artista. 

É na referência fotográfica e nas suas andanças pela cidade, sobretudo pelo centro, que a sua obra se desenvolve. “Com 14 anos eu era office boy no centro de São Paulo e andava muito ali pela São Bento, rua Direita, Santa Ifigênia, Barão de Itapetininga, 15 de novembro, onde ficavam os bancos”. Nessa mesma época, em 1965, recebeu a primeira encomenda que resultou numa série de quadros para um restaurante chamado La Boheme, no Brás, antigo bairro onde grande parte da colônia italiana aportou, e onde a família do artista morou. Ele também estudou piano e chegou a ter grupos de música profissional como um trio de bossa nova. Estudou arquitetura na Universidade Braz Cubas, de Mogi das Cruzes, e frequentava o atelier de Aldemir Martins, uma de suas referências brasileiras. Foi também muito próximo de outros artistas como Carlos Scliar, Tikashi Fukushima, Manabu Mabe e Darcy Penteado.

“Newton Mesquita é um cronista da vida urbana, do seu cotidiano nos grandes espaços abertos e, também da intimidade, dos espaços protegidos. Seu olhar (olhar de fora) é capaz de penetrar na essência dos ambientes e de seus personagens como um voyeur anônimo – aquele que vê! Isto é, aquele que participa pelo que vê. Não obstante, sua pintura expressa um olhar que perscruta, que procura conhecer e adentrar no sentido das coisas e das pessoas. As cenas de praças, ruas e fachadas e de seus personagens, quase sempre solitários, sugerem aparente simplicidade, no entanto, o artista incorpora elementos plásticos que nos conduz a abordagens intensas e complexas”, arremata Fábio Magalhães.

Compartilhar: