Para criar a série que dá nome à exposição, o artista conseguiu autorização para fazer registros da seção de achados e perdidos de diversos terminais espalhados por São Paulo. Utilizando linhas coloridas e agulha para bordar ponto a ponto sobre as fotografias, Nario traz destaque para objetos banais.
Ao visitar a exposição, encontram-se itens comuns, como chaves e óculos, e também objetos curiosos, como um par de alianças, ferramentas de trabalho e até uma pia. Sendo as estações locais de chegadas e partidas, o observador é convidado a imaginar as histórias dos proprietários, o que os levou a deixar seus pertences para trás ou por quê nunca retornaram para buscá-los.
Em seus 25 anos de produção, os espaços públicos e urbanos sempre foram temas de interesse para o artista, que por muitos anos atuou também como fotojornalista. O bordado é uma herança familiar, praticado pela mãe, primas e tias em Cedro de São João (SE), sua cidade natal. Através de um trabalho delicado, Nario mostra que também há beleza nos mistérios do cotidiano.

