Nádia Taquary | Espaço 321 Jacarandá

Em paralelo à 32° Bienal de São Paulo o Espaço 321 Jacarandá apresenta Oriki, saudação à cabeça, a primeira exposição individual da artista baiana Nádia Taquary em São Paulo. Com curadoria de Beatriz Franco, a mostra apresenta uma vídeo-instalação, três esculturas em bronze, uma em ferro e doze em madeira com elementos como búzios, palhas e miçangas presentes em várias delas. Nádia cresceu em Valença, litoral baiano, e seu trabalho retrata a cultura religiosa afro-baiana, sua história e identidade a partir de uma pesquisa que começou pela ourivesaria colonial, os balangandãs das escravas – sinônimo de opressão e esperança de liberdade. Foi a partir deste encontro com a história baiana que a artista iniciou seu percurso como escultora.
A palavra que dá título a essa exposição é uma palavra ioruba: oriki, composta por ori que quer dizer cabeça e ki saudar, portanto: saudar a cabeça. Oriki é também verso, poema entoado que se canta para os Orixás e que, ao ser enunciado, exalta seus atributos. O oriki pode ser cantado em diversas ocasiões, religiosas ou não. O silêncio e o respeito ao Orixá cantado, no entanto, sempre se fazem presentes e acredita-se que o oriki seja capaz de inspirar e apaziguar.
“Nádia compõe suas peças como orikis. Ela saúda sua ancestralidade sem muito explicar, é como uma palavra entoada, dita no silêncio, vinda de um conhecimento ancestral, algo inconsciente (dado que ela não é uma iniciada na religião africana) para nos fazer mais fortes, mais livres e exaltar as virtudes desse povo que nos compõe. A sua série de esculturas de cabeças nos remete à importância da cabeça nos ritos afro-baianos que entende que é ela que conecta os dois mundos, àiyê (terra, mundo físico) e orun (céu, mundo espiritual) ”, escreve a curadora.
Sobre Nádia Taquary
Nádia Taquary vive e trabalha em Salvador e é representada pela Paulo Darzé Galeria. Recentemente, seu trabalho pôde ser visto no MAR (Museu de Arte do Rio, 2014), na SP-Arte (2016), na Arte Rio (2015), no Museu de Arte da Bahia (2014), na III Bienal da Bahia (2014) e na Galerie Agnès Monplaisir (Paris, 2016). Seu trabalho está na coleção do MAR (Museu de Arte do Rio) e é parte de diversas coleções particulares no Brasil e no exterior.

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