Nádia Taquary e Ayrson Heráclito | Galeria Leme/AD

A Galeria Leme/AD tem o prazer de anunciar a primeira exposição em parceria com a soteropolitana Paulo Darzé Galeria: “Nádia Taquary e Ayrson Heráclito”. A mostra apresenta um conjunto de trabalhos que se referem às poéticas afro-brasileiras, trazendo vínculos próximos às religiosidades, insurgências e disputas negras no Brasil.

A obra de Nádia Taquary traz indagações relacionadas aos saberes e fazeres das tradições de joalharias crioulas. Em seus trabalhos, emprega o uso da madeira – seja de demolição ou de origem certificada – além de ouro, prata, contas, búzios, palhas e outros objetos representativos da história da população negra no Brasil, como os “Balangandãs”, eixo conceitual fundamental de sua pesquisa. Esses objetos, que com o tempo foram esvaziados de seus significados, representavam a liberdade para muitas mulheres negras escravizadas, e hoje são revisitados e potencializados pela artista, compondo um conjunto afirmativo escultórico para a continuação das lutas raciais contemporâneas.

Assim como Taquary, Heráclito desenvolve uma investigação que tensiona as relações entre Bahia e África. Para tanto, o artista emprega materiais orgânicos – como o dendê, o açúcar e o charque – emblematizando signos culturais relacionados ao passado colonial e ao escravismo. Na série “Sacudimentos” (2015), Heráclito exorciza, através de rituais de cura, dois importantes monumentos arquitetônicos associados ao tráfico de escravos. A mostra também apresenta a instalação “Segredos Internos” (2010), onde o artista utiliza um barco partido ao meio para fazer uma crítica ao sistema econômico e social da época colonial, com suas estruturas desequilibradas e estratificação social. Já na série “Desenhos da Liberdade” (2019), Heráclito executa intervenções em nanquim sobre cartas de alforria.

Através da ação artística, Taquary e Heráclito implementam um percurso poético-político que assume o feito de narrar processos históricos e sociais a partir de um ponto de vista não-eurocêntrico. Imagens, ações e discursos são produzidos com o objetivo de compor uma crítica anti-colonial e que combate as políticas de apagamento e da suposta democracia racial.

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