Live “Festa do Divino: uma bandeira de fé, justiça e liberdade” | Museu do Pontal

O Museu do Pontal promove no próximo dia 31 de maio, às 17h, a live “Festa do Divino: uma bandeira de fé, justiça e liberdade”, em seu canal no YouTube. As comemorações religiosas sempre ocuparam papel importante nas práticas de sociabilidade no Brasil – procissões, festas de santos protetores, santos padroeiros ou festas de Natal. Mesmo com a concorrência de outras diversões e oportunidades de encontros ao longo dos séculos, as festas religiosas populares permaneceram e se renovaram por todo o país, como as festas de Nossa Senhora de Nazaré, Santo Antônio, São João, São Pedro, Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora dos Navegantes e o Divino Espírito Santo.

O Museu do Pontal, detentor do maior acervo de arte popular brasileira, possui esculturas e modelagens que trazem para a dimensão plástica aspectos desse mundo festivo religioso. Na live do dia 31 de maio, teremos uma conversa coordenada pela professora Martha Abreu (UFF) a respeito de uma das mais poderosas festas religiosas, as festas do Divino, como são conhecidas. Os convidados são Geraldo Elói de Lacerda, Júlia Maria de Lacerda e Açucena Nascimento, representantes da Folia do Divino de São João Del Rei, Minas Gerais, e Simone de Assis, historiadora e pesquisadora na área do afro-catolicismo, com destaque para Festas do Divino, Congadas e cosmopercepção bantu-congo.

As populares festas do Divino Espírito Santo celebram Pentecostes, o momento de comemorar, 50 dias após a Páscoa, a descida do Espírito de Deus sobre os apóstolos. Seu símbolo mais conhecido, a pomba sagrada, ilumina a todos com sua sabedoria e generosidade com os pobres.  O dia do Divino é o momento em que o cristianismo se torna universal, atraindo crentes das mais variadas origens, cores e credos. Talvez exatamente por isso o Divino e a pombinha tenham tido apropriações muito variadas ao longo da história do Brasil: desde celebrações em irmandades ricas, até festas muito concorridas, com todos os tipos de públicos e atrações, em áreas centrais das cidades, passando por homenagens de terreiros afro-brasileiros. O Divino, como anuncia sua bandeira, é de todos os devotos!

SOBRE OS CONVIDADOS:

Geraldo Elói de Lacerda é mestre cultural e dirigente da Folia do Divino. É Juiz de Mesa na Comissão Organizadora da Festa do Divino – CODIVINO. Foi coroado Imperador do Divino no ano de 2002. Nascido, criado e morador da cidade de São João delRei, Minas, tem hoje 83 anos de idade, é carpinteiro aposentado e referência na cultura popular e negra da cidade.

Júlia Maria de Lacerda é foliã do Divino, tocadora de xique-xique e guardiã do patrimônio material – bandeira, roupas, acessórios, instrumentos etc. – da Folia do Divino do Geraldo Elói. Integra a Comissão Organizadora da Festa do Divino – CODIVINO. Foi a responsável pela formação das Pastorinhas, grupo para qual compunha canções e que teve o papel de aplacar problemas sociais na cidade de São João del Rei, Minas, onde mora desde que nasceu. Tem 74 anos, é cozinheira e costureira aposentada. Além de ser uma das expoentes da cultura negra na região.

Açucena Nascimento é integrante da Comissão Organizadora da Festa do Divino – CODINO, há nove anos. Carrega o compromisso de registrar, arquivar e organizar o acervo fotográfico do festejo. Faz parte da Pastoral da Comunicação na paróquia do Matosinhos, em São João delReiMinas. É catequista nas comunidades Bom Pastor e Cristo Rei, ligadas ao santuário de Senhor Bom Jesus de Matosinhos. É uma das vozes que releva a importância da presença congadeira na Festa do Divino em São João del Rei.

Simone de Assis é mulher negra, mestra em História pela Universidade Federal de São João delRei (UFSJ). Integra o Grupo de Trabalho Emancipações e Pós-abolição em Minas Gerais. Pertence à Rede de HistoriadorxsNegrxs. É pesquisadora na área do afro-catolicismo, com destaque para Festas do Divino, Congadas e cosmopercepção bantu-congo. Mora em Cambuquira, no Sul de Minas, no circuito das águas minerais.

Martha Campos Abreu é professora titular do Instituto de História da UFF, atuando nos programas de pós-graduação e no mestrado profissional em ensino de história. É pesquisadora do CNPq, e desenvolve trabalhos nas seguintes temáticas: história da diáspora africana nas Américas, cultura popular, música negra e patrimônio cultural. Coordena o projeto Passados Presentes: memória da escravidão no Brasil.

 

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