Monográficas 2 | Enrico Bianco

A mostra centra o seu foco em pinturas, desenhos e gravuras – as principais linguagens trabalhadas pelo artista, originárias do próprio acervo da galeria e de empréstimos de coleções particulares. O conjunto revela a versatilidade de Bianco, que passeia por gêneros tradicionais da história da arte, como a natureza-morta, e assina composições de forte originalidade e hábil técnica, como as que retratam festas populares e trabalhadores das mais diversas atuações no Brasil.

“Festejos populares, panoramas que guardam algo de metafísico, trabalhadores em harmonia com a natureza, animais em movimento, naturezas-mortas, nus. Rever em conjunto dezenas de obras de Enrico Bianco (1918-2013) (…) é também a reconstituição de um percurso longo e consistente pela história da arte brasileira”, afirma o curador em seu texto crítico, que faz parte de catálogo virtual exclusivamente feito para o recorte.

Antes da vinda para o Brasil em 1935, Bianco teve contato com mestres da pintura italiana. Radicado no Rio de Janeiro, estudou com Candido Portinari e com ele trabalhou em murais do Ministério da Educação e Cultura (MEC), em painéis do Banco da Bahia e no edifício da ONU – os célebres Guerra e Paz (1953-1956). Em 1940, realizou sua primeira individual na cidade que adotou, no Copacabana Palace Hotel. Fez diversos outros trabalhos em murais e produziu vasta produção gráfica, com ilustrações de livros e cartazes. No ano de 1982, ganhou a mais importante retrospectiva de sua obra, que começou no Masp (Museu de Arte de São Paulo) e seguiu para o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. 

Integrou seleto grupo de modernistas, convivendo e recebendo críticas de nomes como Di Cavalcanti, Roberto Burle Marx, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Pietro Maria Bardi, Villa-Lobos e Affonso Reidy, entre outros. Nomes de peso da literatura resenharam suas individuais, como Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e Adonias Filho. Sua última exposição foi realizada pela galeria Colecionador, no Rio, em 2011, com trabalhos feitos para a mostra e com ele ainda ativo, aos 93 anos.

As obras de Bianco fazem parte de importantes coleções brasileiras. A aproximação com o circuito paulistano ocorre no final da década de 80 e a Galeria de Arte André tem papel decisivo nessa ponte, em razão da regularidade do espaço comercializar e promover o clássico figurativo. Dessa união, em 1997, a galeria faz grande individual dedicada ao artista, com texto de Jacob Klintowitz, obtendo sucesso de vendas e boa repercussão crítica.

A exposição faz parte do programa Monográficas, que é uma série de individuais de artistas que tiveram importantes relações com a André ao longo dos 61 anos de atividade. Outro foco do projeto é resgatar produções que não estão em evidência atualmente, mas que possibilitam renovadas perspectivas pela consistência e importância de tais artistas em períodos anteriores da arte brasileira. A exposição que abriu o recorte foi dedicada ao gaúcho Carlos Scliar (1920-2001) e ocorreu no primeiro semestre deste 2020, sob as condições sanitárias especiais devido à pandemia do Covid-19.

A visitação de Monográficas 2 – Enrico Bianco seguirá as especificações determinadas pelas autoridades públicas neste período.

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