A artista visual Monique Ribeiro, da Baixada Fluminense (RJ), apresenta sua nova exposição individual, que propõe um mergulho sensível e potente nas camadas da identidade negra. Por meio da pintura e da estamparia, a mostra constrói uma narrativa visual que entrelaça memória, ancestralidade e cotidiano, articulando imagens e símbolos com forte carga afetiva e histórica.
A pesquisa de Monique parte das padronagens e tecidos de origem africana e afro-brasileira, elementos que ganham protagonismo em suas obras como um gesto de ressignificação. A estampa, que poderia ser vista como mero ornamento, é elevada ao papel de linguagem essencial — um corpo de memória carregado de resistência, saberes e afetos.
Cada peça da exposição dialoga entre figura e vestimenta, corpo e território. As composições revelam tramas visuais e simbólicas, como se cada obra fosse uma narrativa costurada com cuidado, escuta e intenção. O que muitas vezes é silenciado no discurso social emerge aqui com cor, textura e presença.
Com trajetória independente e autodidata desde 2020, Monique Ribeiro vem conquistando espaço no cenário artístico ao tensionar temas como negritude, pertencimento e feminilidade, sempre a partir de uma prática atravessada pela escuta ativa e pelo cuidado com as histórias que carrega e compartilha.
Na exposição, o visitante é convidado a caminhar por entre cores vivas, tecidos e formas que transformam o espaço expositivo em um grande manto coletivo. Cada obra é como um ponto de costura simbólica entre passado e presente, onde o ato de estampar torna-se um gesto político, poético e ancestral.
Mais do que contemplação estética, a mostra é uma convocação à memória, à valorização das raízes afrodescendentes e à reconstrução dos modos de ver, sentir e contar as experiências negras no Brasil.

