Moises Patrício – Galeria Estação

Com curadoria de Ricardo Sardenberg, Exuberância é a primeira individual de Moises Patrício, artista que se notabilizou em coletivas entre as quais a celebrada Histórias afro-atlânticas, no Instituto Tomie Ohtake, realizada em parceria com o MASP (2018), “OSSO – apelo ao amplo direito de defesa de Rafael Braga”, no Instituto Tomie Ohtake (2017) e “Agora somos todxs negrxs?”, na Associação Cultural Videobrasil (2017).

A exposição traz trabalhos que, no entendimento do curador, podem ser compreendidos em três séries que se relacionam com o tempo e sua espessura. A primeira, “Álbum de família”, reúne pinturas com as quais o artista homenageia sua família espiritual, figuras atuantes na preservação e na transmissão da cultura afro-brasileira e que permanecem invisibilizadas. Moises cita, por exemplo, Dona Ceci, pessoa fundamental até hoje no campo da história oral e que colaborou com Pierre Verger ao fazer a ponte do fotógrafo com o Candomblé.  “Álbum de Família revela o artista não como alguém que detém o “gênio”, a singularidade de criar, mas o artista como resultado da vivência em um meio amplo regulado por hierarquias própria do âmbito familiar onde as relações são baseadas no respeito aos mais velhos, à iniciação, à partilha, e à reprodução do saber”, destaca o curador.

Já na série “Brasilidade” estão as esculturas em concreto localizadas no centro da galeria, enquanto em “Homenagem ao Mestre Didi” concentram-se as esculturas em tchutchucas

coloridas. “ ‘Brasilidade’ é um congelamento do tempo, como uma fotografia, e marcada pela sua rápida execução, enquanto ‘Homenagem ao Mestre Didi’ é uma oração contínua praticada ao longo de meses, se não forem anos”, completa Sardenberg.

Segundo o curador ainda, embora Exuberância encontre-se dentro do tradicional cubo branco regulador da arte ocidental, a sua potência está em indicar um cosmo exterior ao container da galeria, próprio da vida, em que continuamente procuramos reger as energias internas e externas. “E é aqui que Exuberância, de Moisés Patrício, propicia o encontro, ou por que não, o reencontro entre a vida e o sagrado”, completa.

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