Modelar, Tramar, Servir | Vilarejo 21

Beatriz da Terra e Carlos Lin oferecem um banquete não comestível e adornos que vestem o vazio, numa mostra que tensiona as fronteiras entre quem serve e quem se serve, quem observa e quem se mostra.

O espaço independente Vilarejo 21 inaugura no dia 28 de junho, das 16h às 21h, a exposição “Modelar, Tramar, Servir”, reunindo trabalhos dos artistas Beatriz da Terra e Carlos Lin. A mostra traz ao público uma experiência que transita entre objeto, instalação, instauração, artesanato e crítica social, costurando relações entre matéria, memória, mercado e território. No centro da exposição estão dois universos que dialogam a partir dos excessos e das faltas.

Beatriz da Terra apresenta uma instalação-banquete, onde pratos, cacos remendados com barro e elementos orgânicos compõem um altar de terra e memória. Sua obra fala de quem se senta à mesa e, sobretudo, de quem não se senta. Uma reflexão sobre hierarquias, fome, exclusão e ancestralidade, usando a sopa, a terra e as galhas como metáforas de resistência.

Carlos Lin, por sua vez, ocupa o espaço com objetos afetivos e vestíveis, máscaras de palha, colares e pequenas casas de barro. Suas peças são ao mesmo tempo ornamento, abrigo e comentário sobre a lógica do consumo. Ao oferecer ao público a possibilidade de vestir a obra, Lin tensiona a relação entre quem produz, quem consome e quem observa. Seus trabalhos incorporam o sujeito como pertencente à obra.

A mostra propõe ao público um percurso onde modelar, tramar e servir são ações poéticas e políticas. Modela-se a matéria, tramam-se as relações, serve-se uma reflexão que se enraíza no presente, olhando para um passado que insiste em nos atravessar.

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