Miguel Sereno | Úmida Arte

O artista visual Miguel Sereno apresenta sua nova exposição Natureza Desconhecida. Nesta fase revisita suas origens mais primitivas até suas últimas inspirações que circulam pelo modernismo, formas orgânicas e uma ambiência futurista.

Sereno nos convida a explorar um orbe desconhecido, habitado por estruturas orgânicas que transitam em sua atmosfera numa dança de transparências, conectando superfície e firmamento.

Vários elementos da trajetória artística de Sereno aparecem na sua última produção, a novidade desta vez é a inserção de formas orgânicas inspiradas em imagens microscópicas. “Eu pensei na diversidade das existências, formas orgânicas que pudessem resistir a uma viagem no tempo, talvez intergaláctica, moléculas ou bactérias que pudessem recolonizar outro planeta, trazendo à tona o tema da própria destruição que nós humanos estamos causando no planeta”, explica Sereno.

O resultado estético de sua mais nova produção é surpreendente – uma composição abstrata, geométrica, com traço rigoroso e elementos que gravitam na tela. É possível perceber, na composição, desenhos de plantas baixas dos jardins de Burle Marx, sua maior influência dos anos na faculdade de Arquitetura.

Filho de pai engenheiro e mãe arquiteta, Sereno cresceu brincando com compasso, bolômetros e escalímetros, despertando seu olhar para as formas – retas, curvas, círculos, e plantas baixas. Mas foi com a esposa a Aleta Morelli, arquiteta, que Sereno se reencontrou com o modernismo, “O modernista de verdade é aquele que é modernista em tudo que faz, aquele que só se inspira é considerado eclético. Ela é modernista de verdade, Aleta foi um amor de adolescência que eu resurgiu agora. e me trouxe de volta para a forma modernista, acho a presença dela fundamental na minha arte.”, diz Sereno.

A viagem pela natureza desconhecida também é um olhar para dentro de si. A volatilidade do estado da matéria permite atuar em outras faixas de frequência vibracional, proporcionando novas sensações, tão buscadas hoje pel

Na adolescência descobriu o grafite, começou com a caligrafia bomb, tags e trow-ups, e criou o codinome “Contra-ataque Sereno”. O spray e o muralismo, voltariam em vários momentos de sua arte. Também neste período Sereno fez curso de tinta a óleo.

Em 2010 Sereno volta a fazer arte de rua, desta vez já com um traço bem marcante – as formas retas, geométricas, tridimensionais abstratas, estilo que o tornou bastante conhecido. Sua arte está nas ruas de muitas localidades do Rio de Janeiro : Borel, Manguinhos, Caju, Vidigal, Rocinha , Barreira do Vasco, Jardim Gramacho, Terreirão Recreio, Jacarezinho, Grota , Vila Operária, Santa Marta, Prazeres, Leblon, Ipanema , Copacabana, Jardim Botânico, Botafogo e outros.

Em 2014 – inicia a fase “Geométrica” com composições abstratas, mantendo as perspectivas, incluindo formas ousadas, texturas muitas vezes poéticas e apocalípticas. É quando entram céus, cores e formas influenciados pelo cinema futurista, extraído de clássicos como Blade Runner, Thron e Metropoles.

Os murais ganharam grandes proporções como um prédio de 40m de altura e 13 andares em Copacabana. Sua arte ficou conhecida e recentemente foi convidado pela Rede Globo para fazer o grafite em uma cidade cenográfica, para a novela “A dona do pedaço”. “Pela primeira eu estava sendo pago para grafitar, algo que sempre foi meio proibido, foi uma sensação diferente” brinca Sereno.

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