Metamorfose: Sublimação e Transmutação | Simões de Assis

Jean-Michel Othoniel, Amant suspendu Améthyste, 2021

A Simões de Assis apresenta a exposição coletiva “Metamorfose: Sublimação e Transmutação”, com curadoria de Marc Pottier, que traz uma seleção de artistas brasileiros e estrangeiros abordando o conceito de Metamorfose. Segundo Pottier, em seu ensaio, “Esta exposição conduz um trabalho de reflexão em torno deste tema universal da metamorfose abordando-o na sua transversalidade, na evolução e nos ciclos de vida. Essas flutuações de forma são, antes de tudo, humanas.”

Ayrson Heráclito, Flor do Velho, 2013

Ayrson Heráclito, representado pela Simões de Assis, enfatiza as raízes afro-brasileiras em seu trabalho e pesquisa, evidenciando elementos sagrados, projetando ações e práticas que compõem a história e a cultura da população negra. Na mostra participa com uma fotografia e um vídeo. O último, “FunFun”, narra a transição, a morte de uma importante mãe de santo e a sua passagem metaforicamente representada pela sua encarnação em garça no rio Paraguaçu que voa de volta para África. Heráclito promove um mergulho entre os limites da ficção e realidade, magia e tecnologia, como sugere Pottier.

Jean-Michel Othoniel é uma das atrações internacionais de “Metamorfose: Sublimação e Transmutação”. Ele realiza esculturas de materiais com propriedades consideradas “reversíveis”. Especificamente o vidro de Murano soprado que se tornou emblemático de sua criação, apresentado por meio da repetição de peças modulares, como pêndulos, tijolos e pérolas, revelando diferentes tons dentre as peças de vidro: formas totalmente contemplativas e que despertam o desejo de aproximação e observação. Tracey Emin, conhecida mundialmente, é descrita pelo curador como uma personagem lendária, uma figura do “trash” da geração dos YBA (Young British Artists). A exposição conta com uma das icônicas obras em néon que expressam palavras, ou confissões, misturando a vida e a imaginação.

Helô Sanvoy, Sal de cura, 2021

Helô Sanvoy, apresenta dois trabalhos, que estabelecem relações intuitivas com o assunto da exposição. O primeiro é uma nova elaboração de “Sal de Cura”, formado por sal grosso, carne, cápsulas de munição e armas brancas, desta vez dentro de uma caixa de vidro fechada, e o segundo composto por cacos de vidro remontados em uma estrutura criando uma relação da rigidez com o couro, o único elemento orgânico da obra. A videoinstalação de Anna Costa e Silva, “Fogo sobre lago” também sugere um contraste matérico, através do encontro do fogo e água, por meio da projeção dos últimos suspiros de fogueira que a artista captura e depois projeta dentro de um aquário repleto de água, criando uma relação um tanto dinâmica, conectando os opostos que, de outra maneira, não poderiam coexistir.

Anna Costa e Silva, Fogo sobre lago, 2018

Já Eliane Prolik, também representada pela galeria, abastece a parede lateral das escadas do espaço expositivo com uma instalação, ou então “obra-passagem” – um conjunto de estruturas vazadas, transparentes e ondulantes que apresentam uma situação “corpórea-incorpórea”, segundo o curador, interrogando a própria fisicalidade.

Outro destaque internacional da mostra é Gabriel de La Mora, artista convidado a integrar o projeto com uma série de desenhos com cabelo humano. De acordo com Pottier: “Ele considera que a informação genética, DNA humano ou animal, cabelo humano e penas, são a mesma coisa, ao mesmo tempo em que observa que nunca haverá dois DNAs idênticos, duas impressões digitais idênticas, dois tons de voz iguais… Ele gosta de apontar como, à primeira vista, existem espécies que se parecem, mas como cada uma é diferente. As espécies evoluem, se transformam”. Assim como tudo neste planeta está se movendo e mudando.

Por fim, o trabalho de Martha Araújo se concentra nos limites do corpo. Uma série de fotografias é apresentada na mostra, revelando as potências da roupa como objeto, peças e utilizações produzidas pela artista e registradas em ensaio fotográfico, permitem existir um corpo comunitário e coletivo. Mariana Manhães também se envolve com as noções de corpo quando constrói seres híbridos estranhos – máquinas orgânicas – nas quais tudo se relaciona, se liga, se estimula, em uma linguagem própria e sem lógica aparente. O desenho, a fotografia, e a colagem, bem como outras mídias, são trabalhados de forma experimental e complementar ao processo de suas instalações, e insistem em não se distinguirem entre si, reiterando o aspecto sistemático e relacional de seu trabalho.

Compartilhar: