Maxwell Alexandre | Instituto Tomie Ohtake

Maxwell Alexandre, Éramos as cinzas e agora somos o fogo (diss), da série Pardo é Papel, 2019

Com Maxwell Alexandre – Pardo é Papel, o Instituto Tomie Ohtake renova a parceria com a Fundação Iberê, depois de ter realizado a mostra O Fio de Ariadne – Iberê Camargo, ainda em cartaz na instituição paulistana. Desta vez, a parceria se estende ainda ao Instituto Inclusartiz, promotora desta exposição, bem como responsável por sua itinerância iniciada no Museu de Arte do Rio – MAR, onde recebeu mais de 60 mil visitantes em 2019, e também pela residência do artista em Londres, que resultou em sua primeira individual no Museu de Arte Contemporânea de Lyon (França).

Com curadoria de Matthieu Lelièvre e patrocínio da PetraGold, a mostra reúne 12 obras (2018-2019) de Maxwell Alexandre (RJ, 1990) em grandes formatos, que produzem um léxico particular a partir do olhar cotidiano do artista sobre a Rocinha, onde nasceu, trabalha e reside. “Através das composições construídas como pode ser a arquitetura da Rocinha, Maxwell desenha um retrato fascinante de seus habitantes e fala de questões contemporâneas e sociais no espírito dos ciclos épicos da pintura histórica”.

O artista carioca conta que a ideia de trabalhar sobre o papel pardo começou em 2017. Ao se utilizar deste material perdido em seu ateliê para pintar autorretratos, reparou em sua sedução estética. Mas depois, se deu conta do ato político e conceitual que estava articulando ao pintar corpos negros sobre papel pardo, uma vez que a cor parda foi usada duramente muito tempo para velar a negritude.

Em seus trabalhos figuram músicos, artistas, heroínas políticas, mas também Power Rangers pretos. Para o curador tais elementos atuam como modelos reapropriados, indicando uma mudança de paradigma que motiva uma construção social positiva de união, orgulho e sucesso.

Com obras nos acervos do MAR-RJ, Pinacoteca de São Paulo, MASP, MAM-RJ e Pérez Museum (Miami, EUA), Maxwell foi vencedor do Prêmio Pipa em 2020. Graduado em design pela PUC-Rio em 2016, já em 2018, como reconhecimento da Arquidiocese, recebeu o prêmio São Sebastião de Cultura.

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