MAURICIO ADINOLFI | CCSP

A exposição-instalação “Adamastor”, do artista e pesquisador Maurício Adinolfi será constituída por materiais básicos da construção naval, a instalação é composta por um barco de madeira de sete metros, a ossada de uma baleia jubarte, 20 cabos de aço, além de porções de mercúrio, asfalto e sal.
Partido ao meio, o barco tem suas metades instaladas frente a frente, nas extremidades do Piso Caio Graco. A separação entre a popa e a proa cria um espaço vazio, que é tensionado por 20 fios de aço de 40 metros que ligam as partes. Os cabos de aço acabam por inventar um espaço poético, que no movimento de distenção e retesamento engendra uma certa dramaticidade, por estar sobre um espaço de altura considerável, formando uma espécie de desenho sobre o vão central do espaço cultural.
A obra ainda guarda relação com as intervenções realizadas pelo artista em regiões litorâneas de rio e mar, em especial ações colaborativas e coletivas que envolveram as comunidades locais, de onde vem o barco e os ossos da baleia, pesquisada e encontrada pelo próprio artista. O mar, na poética de Adinolfi, se configura como um exercício de ir e voltar, um “espaço intermediário” de elevado risco, fazendo referência ao mítico “Adamastor” – gigante referido por Luís Camões em “Os Lusíadas”, representando as forças da natureza contra Vasco da Gama como forma de tempestade.
Na ocasião, o CCSP também inaugura exposições de Anna Israel, Daniel Jablonski, Flora Rebollo, Gian Spina, Gustavo Torres, Yuli Yamagata, Tiago Mestre e uma retrospectiva de Hudnilson Jr.

Compartilhar: