“Mata Viva” propõe uma imersão inédita pelos biomas brasileiros em uma experiência expositiva de forte impacto visual e conceitual. Com curadoria de Jair de Souza e Jorge Mendes, a mostra reúne 259 obras de 64 artistas de 24 estados e apresenta um panorama raro da arte popular brasileira contemporânea, reunindo alguns dos mais importantes nomes dessa produção no país. Longe de uma leitura folclórica, a curadoria reposiciona essas obras no centro do debate artístico contemporâneo, articulando estética, território, memória, ancestralidade e crise ambiental em uma narrativa potente e profundamente brasileira.
A exposição conduz o visitante por uma travessia sensorial entre Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica. O percurso começa em meio a sons e imagens de incêndios florestais e, aos poucos, se transforma em uma experiência de regeneração e permanência da vida. Ao longo das galerias, pensamentos de lideranças indígenas como Ailton Krenak e Davi Kopenawa ampliam a reflexão sobre preservação ambiental, natureza e futuro coletivo, fazendo da mostra também um espaço de consciência e resistência.
Um dos grandes destaques de “Mata Viva” é a expografia integralmente artesanal: árvores monumentais erguidas manualmente, esculturas imersivas e cerca de 2 mil m² de paredes e pisos pintados à mão criam a sensação de atravessar uma floresta construída dentro do espaço expositivo. O resultado é uma experiência visual e sensorial rara, em que instalação artística, cenografia, arquitetura e arte popular se fundem em uma grande obra viva, dissolvendo as fronteiras entre espaço expositivo e obra de arte.

