MASP – Histórias da Dança

Denilson Baniwa, Natureza Morta I, 2014, acervo MASP, doação anônima, no contexto da exposição Histórias da Dança, 2020

A exposição Histórias da dança, que seria apresentada no MASP entre junho e novembro deste ano, vai ocorrer, a partir de 16 de novembro, na forma de uma antologia, um catálogo, um espaço especial no site do museu e uma live no perfil do @masp no Instagram.

As mudanças decorrem de ajustes orçamentários e de logística que precisaram ser feitos no contexto da pandemia de covid-19 e impossibilitaram a mostra física de ocorrer como havia sido planejada, reunindo mais de 200 obras de arte nacionais e internacionais, entre performances ao vivo, vídeos, pinturas, tecidos, esculturas, desenhos, instalações comissionadas e documentação de arquivo.

A solução encontrada pelos curadores, Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, Julia Bryan-Wilson, curadora adjunta de arte moderna e contemporânea, e Olivia Ardui, curadora assistente, foi a de apresentar ao público uma memória parcial do que teria sido Histórias da dança –afinal, esse também é o ciclo temático que guia a programação do museu 2020.

 

Sobre os materiais

Um catálogo servirá de registro do que seria a exposição e contemplará ensaios dos curadores, lista de artistas, textos abrangentes sobre os núcleos que dividiriam a exposição e quais obras ocupariam cada uma dessas seções. À venda a partir de 20 de novembro (R$ 129).

Uma antologia (R$ 50), já à venda no museu e pelo site masploja.org.br, reúne 28 textos de referência e derivados das apresentações dos seminários internacionais sobre o tema organizados entre 2018 e 2020. São materiais que foram fundamentais para a curadoria desenvolver o projeto da exposição.

Além disso, haverá, no site do museu, um espaço dedicado especialmente à exposição, onde serão apresentados textos resumidos sobre os núcleos e imagens de grande parte dos trabalhos da mostra (masp.org.br/historiasdadanca).

De 16 de novembro a 2 de dezembro, o Instagram do @masp também irá focar conteúdos relacionados à Histórias da dança.

No dia 30 de novembro, às 18h, Julia Bryan-Wilson e Olivia Ardui irão participar de uma live na mesma rede social para falar sobre o processo de realização da mostra e as publicações relacionadas à ela. A conversa será em inglês, mas será legendada posteriormente e disponibilizada no IGTV e no canal do museu no YouTube.

Brendan Fernandes, As One II [Como um II], 2017, cortesia do artista e Monique Meloche Gallery, Chicago, Estados Unidos

O conceito de Histórias da dança

Mais do que propor uma narrativa cronológica sobre a história da dança, ou ainda um percurso exaustivo sobre as relações entre dança e artes visuais, a exposição Histórias da dança propõe uma reflexão sobre políticas do corpo em movimento. Exposições anteriores investigaram momentos históricos em que dançarinos e artistas colaboraram intimamente, como foi o caso dos Ballets Russes ou da Judson Dance Theater. Esta exposição estrutura-se em torno de termos chave no pensamento de dança –improvisação, tensão, composição, gravidade, entre outros–, pensados desde uma perspectiva ampla de como os corpos se relacionam e se movem no espaço e no tempo.

Abordando a dança em sua acepção mais ampla de movimento socialmente construído e codificado, Histórias da dança inclui gestos não necessariamente associados à dança: expressões transgressoras de sujeitos marginalizados, locomoção coordenada e disciplinada, gestos insurgentes e a ocupação subversiva do espaço público. A exposição contempla também vídeos de protesto ou danças de rua que viralizaram nas redes sociais ou plataformas como o YouTube. Além disso, o projeto também realça a importância da arte cinética latino-americana e da arte neoconcreta brasileira no centro desses debates, investigando as implicações políticas de movimentos coletivos.

De materiais arqueológicos pré-colombianos, passando pelo ritmo de telas abstratas do começo do século 20, até protestos coreografados contemporâneos, Histórias da dança celebra o potencial da dança de expressar a alegria e o desejo físico –e também a ira coletiva– diante da opressão e da crise. Embora as representações históricas de dança puderam muitas vezes apresentar imagens exotizadas de Outros, esta mostra enfatiza a autoinvenção e a reivindicação assertiva de territórios por parte de corpos negros e indígenas que se movimentam conjuntamente no espaço. Além disso, Histórias da dança ressalta a contribuição das mulheres, com especial atenção para perspectivas feministas e queer –desde o luto das mulheres chilenas pelos desaparecidos no regime Pinochet na dança-protesto cueca sola, passando pelo trabalho pioneiro de dançarinas como a brasileira Analívia Cordeiro ou ainda a afro-americana Josephine Baker (1906-1975).

Ao evidenciar a maneira como os corpos se movem juntos dentro de contextos políticos, históricos e econômicos específicos, a exposição apresenta a dança como forma de resistência exuberante.

De fundamental importância para a mostra, está um espaço aberto, uma arena, comissionado para a artista Carla Chaim, onde aconteceria um intenso programa de performances, apresentações, ensaios e oficinas no segundo subsolo do MASP. A presença de corpos em movimento no cerne da exposição permite questionar criticamente as possibilidades, os diálogos e as fissuras que podem surgir quando a dança adentra o museu.

Compartilhar: