Mary Dutra | Espaço Cultural Correios Niterói

Já pensou se as obras de arte dos museus ficassem expostas às variações do clima? Pois foi assim que a artista plástica Mary Dutra criou 19 quadros durante a pandemia. E o resultado pode ser conferido na 2ª edição da sua exposição individual “Se foi, tempo”, em cartaz no Espaço Cultural Correios Niterói até dia 23 de abril de 2022, com entrada gratuita e curadoria da Tartaglia Arte de Roma.

Desde o início da pandemia, a artista começou a refletir sobre o tempo e passou a registrar seus pensamentos em textos na máquina de escrever. Essa autorreflexão deu origem ao conceito da exposição “Se foi, tempo”, composta por obras que ficaram literalmente expostas à chuva, ao sol e ao vento por um período de 6 meses.

A artista explica que como cada dia nos traz um novo tempo, as obras vivenciaram diariamente o sentido disto. “A exposição fala sobre o tempo e traz reflexões do período da pandemia. Cada tela foi pintada no momento exato de seu tempo. A obra “Ao tempo de vento”, por exemplo, foi pintada num dia de muita ventania e sofreu algumas quedas durante o processo de pintura”, lembra a artista plástica Mary Dutra.

Além do momento da criação da pintura, sempre que o mesmo tempo acontecia novamente, as obras saíam para captá-lo. A obra da noite, dormiu mais de 20 vezes à luz do luar, enquanto a obra da chuva pegou repetidas tempestades.

Ao todo, são 36 obras distribuídas pelas quatro principais salas expositivas do Espaço Cultural Correios Niterói, consideradas o espaço mais nobre do prédio, ocupando uma área total de 321m2. Além das pinturas, a exposição traz instalações, videoarte, objetos, textos, sons, painéis e caligrafia, criando uma atmosfera imersiva, sensorial e reflexiva sobre como lidamos com nosso tempo.

A mostra conta ainda com uma inovação digital: através de QR Codes, as pessoas podem acessar o processo criativo dos quadros, tendo uma outra experiência dentro da exposição por meio de vídeos. “A mostra traz, de forma visual e digital, pensamentos e angústias da pandemia, com obras que promovem interação e reflexão”, diz a artista.

A exposição é dividida em seções como ‘Ficou ao tempo’, ‘Passou o tempo’, e ‘O sentido do tempo é a desordem. Quanto falta para quvebrar?’. Em cada seção, os textos escritos em máquina de escrever promovem uma autorreflexão sobre como usamos ou desperdiçamos nossos tempos. “A minha intenção é que, ao ler os meus textos, a pessoa pense no seu próprio tempo”, completa Mary.

A artista destaca ainda uma novidade desta edição: todo o transporte das obras foi desenvolvido para a não utilização de plástico bolha, sem geração de lixo e de forma a reutilizar todo material que serve para embalar as obras. “O objetivo é que elas sejam replicáveis e sirvam de modelo para outras exposições, contribuindo com a preservação do meio ambiente e trazendo consciência para o segmento”, explica Mary.

A 1ª edição da mostra, em 2021, contou com mais de 11 mil visitantes no Centro Cultural Correios RJ.

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