Mario Cravo Neto | Galeria BASE

Mario Cravo Neto, Figura voodoo, 1988

A Galeria BASE recebe a exposição do fotógrafo Mario Cravo Neto “de EXU a Jesus Cristo”, com texto de Diógenes Moura, marcando a abertura de sua agenda expositiva de 2021. A mostra individual é composta por 31 trabalhos, prioritariamente vintage e, em sua maioria, com a técnica de gelatina e prata, da série “O Eterno Agora”, uma das mais importantes criadas pelo artista, todas em preto e branco, acrescidas de três, coloridas, em grandes dimensões.

Suas fotografias escultóricas são um convite a apreciar, apropriar e unir duas ou mais formas contemplativas dentro de um só quadro expressivo.

As obras são, em sua totalidade, feitas em estúdio, onde destaca seu domínio na utilização da luz, o claro e escuro, que é foco diferencial de seu trabalho, evidenciando figuras humanas, além da inserção de aves, peixes, planta, pedras, criando um universo de simbologias. Algumas imagens icônicas poderão ser observadas como “Deus na cabeça”, “Criança Voodoo” (acervo do MoMA – NY, USA), “Luciana” (acervo Museo Reina Sofia – Madri,), “Lágrimas de pássaro”, “Homem com dois peixes” e “Odé”, esta última um exemplar raro feito em platina, editado pela Vision Editions, em San Francisco (CA, USA). Mais trabalhos da série – “O Eterno Agora” – estão em exibição da mostra “Espíritos sem Nome” no IMS/SP.

Como define Diógenes Moura, “(…)uma exposição com suas imagens será sempre um livro aberto: página por página poderá mudar a cada instante. Mesmo para quem já tenha visto grande parte da sua obra, aquelas que são “possíveis” de ver no primeiro instante. Possíveis de ver porque haverá sempre, em todas elas, um segredo por dentro do outro. É neste exato momento que o homem despe os sentidos: dependendo do olhar de quem vê, enxergar será sempre uma raridade.”

Seu compromisso com a ética fotográfica cria atributos específicos definindo sua assinatura estética da expressão imagética que lhe é característica de respeito e reverência à religiosidade católica e ao candomblé.

“Não estamos apenas diante de uma série de imagens de um homem que partiu muito cedo porque teve sua Orí interrompida, naquele dia 9 de agosto de 2009. Estamos diante de um homem que iluminou a menina dos próprios olhos para deixar para “os outros”, ele mesmo, um segredo por dentro do gozo”, completa Moura.

Mario Cravo Neto captou registros, com acuidade e visão únicas, de representações religiosas da Bahia e aproximou do espectador uma realidade de fé tão presente e necessária atualmente. “Ele foi o primeiro fotógrafo que me despertou interesse, o que me fez colecionar suas obras há mais de uma década”, declara Daniel Maranhão, coordenador artístico da galeria.

Mario Cravo Neto, Deus na cabeça, 1995

A Galeria BASE cumpre todos os protocolos sanitários determinados pelas autoridades competentes referentes a COVID 19.

 

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