Maria Lira Marques | AM Galeria

foto: SamuelMendes.com

A partir do dia 25 de setembro, estará aberta a exposição gratuita ‘ Meus Bichos do sertão’, da artista mineira Maria Lira Marques, na AM Galeria, em Belo Horizonte. A mostra, que conta com texto de Rodrigo Moura, apresenta uma pequena parcela do imenso acervo que, há décadas, Maria Lira vem realizando em barro sobre papel.

Herdeira e vizinha dos maxacalis, povo originário daquelas paragens do nordeste de Minas Gerais, Maria Lira “cresceu, assim como eles, desconhecendo fronteiras muito estritas entre o que se chama vida ou aquilo que identificamos como arte – seja na religião, na festa, na organização comunitária ou na vida doméstica”, destaca Rodrigo.

Já o professor e crítico de arte, Agnaldo Farias, ressalta que Maria Lira escava a terra ao mesmo tempo em que escava nosso imaginário, “conectando-o ao sentimento irrefreável que, num impulso ancestral, levou o ser humano a fixar em pedras, em paredes de caverna, as suas imagens do mundo, misterioso e fugidio, e que ele pretendia magicamente capturar”.

Técnica

Maria Lira utiliza uma técnica original de pintura, na qual emprega diversos pigmentos minerais, os mesmos utilizados na cerâmica, misturados numa têmpera-cola aplicada com firmeza sobre o papel. A matéria prima utilizada por ela é recolhida da natureza, dos cupinzeiros brutos e do pedregulho duro. As cores em tons terrosos, como laranja e bege, criam um jogo de contraste nas peças.

A artista foi trazida à AM Galeria de Arte pela mão da poetisa Lélia Coelho Frota, uma das pioneiras no reconhecimento, defesa e luta em favor da inteligência do povo brasileiro. “E que luz emite Maria Lira!, autodidata sequiosa por leituras em História e Filosofia, dedicada a ensinar ao povo do vale do Jequitinhonha, onde vive, as infinitas possibilidades da linguagem plasmada no diálogo entre barro e fogo”, diz Agnaldo.

Cultura popular

Além de ser uma artista, Maria Lira Marques é também pesquisadora, ativista e divulgadora da cultura popular do Vale do Jequitinhonha, onde desenvolveu um longo trabalho em colaboração com Frei Chico, frade holandês radicado no Brasil. Com ele, esteve à frente do Coral Trovadores do Vale, cujo repertório era formado pelo cancioneiro da região. Em 2010, fundaram o Museu de Araçuaí, criado com o objetivo de abrigar um acervo de objetos e documentos que registram a religiosidade, os usos, costumes e os ofícios que constituem a história da região, um dos principais pólos de cultura popular do país.

Compartilhar: