O Ateliê 31 apresenta Argila Selvagem, exposição individual de Maria Eduarda Gurjão com curadoria de Marcelo Lago. Na mostra, a artista desenvolve uma pesquisa escultórica centrada na reativação de tecnologias ancestrais como gesto artístico contemporâneo — da coleta da argila diretamente no território à queima selvagem em contato direto com o fogo.
O processo parte da imersão: o corpo da artista mergulha no ambiente natural, cobrindo-se com a argila encontrada em seu lugar de origem, deslocando o gesto de extração da argila para um ato de pertencimento. A matéria não é apenas suporte — é coautora do trabalho, agente ativo que carrega a memória de processos lentos nos quais água, rocha e tempo se entrelaçam. Cada peça resultante é vestígio de um corpo a corpo com a argila: entre sua plasticidade, sua resistência, seu colapso.
O ciclo se completa com o fogo – e na entrega a ele. Na queima selvagem, o controle é cedido à chama, e a argila atravessa sua transformação irreversível em cerâmica. A imprevisibilidade do fogo imprime variações e tensões às formas, conduzindo o resultado para além da intenção inicial — conectando a prática a uma linhagem de milênios de sabedoria ancestral. Em diálogo com o pensamento de Ailton Krenak, para quem a terra é um organismo vivo, Argila Selvagem investiga a cerâmica como vestígio do tempo, e também como processo e relação: um convite para escutar a matéria e imaginar outras formas, mais éticas e recíprocas, de habitar o mundo.
Na programação da exposição, no dia 4 de julho (sábado), das 14h às 17h, a artista conduz a oficina Evidências Arqueológicas para o Futuro — uma visita guiada à mostra seguida de experiência prática com argila. Vagas limitadas. Inscrições pelo (24) 99935-5715.
Instagram @mariaeduarda.gurjao


